15/12/19
 
 
Vítor Rainho 08/11/2019
Vítor Rainho

vitor.rainho@newsplex.pt

Marcelo, o rei do povo que gosta do povo

É certo que Marcelo gosta de espetáculo, adora mostrar os seus afetos, mas não faz como outros no passado que, depois de cumprimentarem um popular, procuravam logo álcool etílico no carro para se desinfetarem. Em Marcelo, os afetos são genuínos, e os excessos perdoáveis.

Marcelo Rebelo de Sousa é frequentemente acusado de ser um populista que só pensa nas selfies e em aparecer na televisão. Há um incêndio e logo surge MRS. Há um descarrilamento de um elétrico e, como por artes mágicas, lá aparece MRS.

Há motoristas que têm uma vida dura e MRS quer saber como é ser profissional do volante – aqui, a coisa até acabou por não correr muito bem. Há um bebé que é abandonado à porta de uma discoteca lisboeta e MRS não descansa enquanto não vai ter com o sem-abrigo que encontrou a criança, fazendo diretos para a televisão abraçado ao homem. As histórias são tantas que não teríamos espaço no jornal todo para as contar.

Mas se Marcelo é acusado de presidir para a fotografia, o que não deixa de ser óbvio é que o Presidente dá voz a muitos desprotegidos que de outra forma continuariam escondidos debaixo do tapete. Se o Presidente não fizesse a ronda pelos sem-abrigo, estes estariam ainda mais abandonados, apesar do excelente trabalho de algumas instituições particulares e de algum apoio do Estado, seja das câmaras ou do Governo.

É certo que Marcelo gosta de espetáculo, adora mostrar os seus afetos, mas não faz como outros no passado que, depois de cumprimentarem um popular, procuravam logo álcool etílico no carro para se desinfetarem. Em Marcelo, os afetos são genuínos, e os excessos perdoáveis.

Na conversa com o sem-abrigo, o Presidente deu uma bicada no Governo, já que o “descobridor” lhe contou que está à espera de ser operado mas que um dos exames prévios só será feito daqui a sete meses. Muitos falam nos atrasos na saúde, Marcelo dá-lhes um rosto.

Um rosto que representa todos aqueles que não têm a quem reclamar da má sorte de não terem dinheiro nem um seguro que lhes permita acorrer ao privado. Por tudo isto, acho que Marcelo será o Presidente reeleito com a maior votação de sempre. Goste-se ou não, o povo já o elegeu como o seu rei. Um rei, diga-se, que gosta de andar no meio do povo, apesar das tontices das Web Summits da vida.

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