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Liga dos Campeões. O carrossel das reviravoltas já está em funcionamento

Liga dos Campeões. O carrossel das reviravoltas já está em funcionamento

AFP Bruno Venâncio 07/11/2019 09:00

O Ajax já foi o grande entertainer na temporada passada e demonstra querer fazer igual em 2019/20: o 4-4 em Stamford Bridge é, para já, o melhor jogo desta edição da prova.

Ainda não estão cumpridos dois meses de competição na edição de 2019/20 da Liga dos Campeões e já há um sério candidato a melhor jogo da prova esta temporada: o Chelsea-Ajax desta terça-feira. O resultado final (4-4!) já diz muito do que aconteceu na noite europeia de Stamford Bridge, mas não tudo: é que houve mais motivos para ficar pregado ao ecrã além da chuva de golos.

Os primeiros cinco minutos de jogo deixaram desde logo bem visível aquilo que viria a ser o encontro. Logo aos dois minutos, o Ajax passou para a frente do marcador beneficiando de um autogolo... de Tammy Abraham, o ponta-de-lança do Chelsea. Bizarro, certo? Mas havia mais. Passados dois minutos, penálti para os blues e Jorginho, brasileiro que joga pela seleção de Itália, a fazer o 1-1.

Seguiu-se então um verdadeiro festival de futebol ofensivo do Ajax que resultou em mais dois golos na primeira parte: primeiro por Quincy Promes (20’), após cruzamento primoroso de Ziyech, e depois num... autogolo de Kepa, guarda-redes do Chelsea, que viu a bola bater-lhe na cara e entrar após livre cobrado pelo internacional marroquino.

Tudo parecia praticamente sentenciado – e mais ainda quando, aos 55’, Van de Beek fez o 4-1 para os holandeses. Quando Azpilicueta reduziu para o Chelsea, aos 63’, a dúvida sobre o vencedor do encontro voltou a surgir (ainda que de forma ténue). Cinco minutos depois, sim, aconteceria a jogada que virou o jogo por completo: depois de Blind travar Abraham de forma dura – tendo o árbitro dado lei da vantagem –, Veltman, o outro central do Ajax, viria a pôr mão à bola na sua área, cometendo grande penalidade. Como ambos tinham já um cartão amarelo, o juiz italiano Gianluca Rocchi mostrou-lhes o segundo e consequente vermelho, para estupefação dos holandeses.

Já com o Ajax reduzido a nove, Jorginho bisou da marca de grande penalidade (71’) e o suplente Reece James faria o impensável 4-4 apenas três minutos depois. E, aos 77’, os blues ainda fizeram o quinto, novamente por Azpilicueta, mas o lance viria a ser anulado após intervenção do VAR, devido a mão de Abraham no decorrer da jogada.

Voltas e mais voltas “Hoje foi um dia completamente louco. Acho que não há muitos que se possam comparar com este”. As palavras são de Frank Lampard, lenda do futebol inglês enquanto jogador e agora técnico do Chelsea, e podem explicar-se com as emoções vividas num jogo disputado a um ritmo realmente alucinante. Não é preciso, ainda assim, recuar muito tempo para relembrar outros jogos de Champions igualmente arrebatadores: só na época passada houve seis que ficaram para a história da prova.

E, curiosamente (ou talvez não), metade delas a envolver o Ajax, o grande entertainer da competição em 2018/19. A primeira, ainda assim, aconteceu entre Hoffenheim e Lyon, na ronda 3: os franceses entraram a vencer, permitiram a reviravolta e voltaram para a frente do marcador novamente, sofrendo o 3-3 final aos 90’+2. História muito semelhante aconteceu, lá está, numa partida do Ajax, no caso para a jornada 6, na receção ao Bayern de Munique: a marcha do marcador foi em tudo semelhante, com Tagliafico a fazer o 3-3 final aos 90’+5’!

Veio depois a fase a eliminar e as emoções multiplicaram-se. O Manchester United gelou Paris ao vencer na capital francesa por 3-1, mercê de um penálti ganho por Diogo Dalot aos 90’+4’, depois de ter perdido em casa por 2-0 com o PSG, na primeira mão dos oitavos-de- -final; a Juventus deu a volta à eliminatória diante do Atlético de Madrid, com o célebre hat-trick de Cristiano Ronaldo a neutralizar o triunfo colchonero por 2-0 em Espanha; e, lá está, o Ajax afastou o Real Madrid ao ganhar por incríveis 4-1 na capital espanhola, depois de perder por 2-1 na Holanda.

Mas o melhor ainda estava para vir. Nos quartos-de-final, o Tottenham venceu em casa o Manchester City por 1-0 na primeira mão; na segunda, os citizens empataram a eliminatória logo aos quatro minutos, com os spurs a dar a volta... aos dez. Seguir-se-iam mais dois golos do City (um deles de Bernardo Silva) e outro do Tottenham, com o tento que daria a passagem ao City, no último segundo dos descontos, a ser anulado pelo VAR. Já nas meias-finais, o Ajax venceu em Londres por 1-0 e esteve a ganhar por 2-0 na Holanda, na segunda mão, mas uma segunda parte de sonho de Lucas Moura virou o resultado e a eliminatória, levando o Tottenham para a final; no outro embate, mais história: o Barcelona tinha vencido por 3-0 em casa, mas sofreu quatro golos em Liverpool e viu os reds de Jürgen Klopp – que nem contaram com os lesionados Salah e Firmino – apurarem-se para a final (que viriam a ganhar).

Recuando a temporadas anteriores, facilmente se recordam jogos como o 6-1 do Barcelona ao PSG, na segunda mão dos oitavos-de-final de 2016/17, com os blaugrana a marcar dois golos já para lá dos 90’ e assim a dar a volta à eliminatória, após ter perdido por 4-0 em Paris; ou os quartos-de-final da época seguinte, também com o Barça como protagonista: depois do 3-1 no Camp Nou, os catalães foram a Roma perder por 3-0 e viram a equipa da capital italiana seguir em frente. Ou os quartos-de-final épicos de 2003/04 entre AC Milan e Deportivo da Corunha: os rossoneri venceram em Itália por 4-1, mas os galegos acabariam por ganhar 4-0 em Espanha e passaram para as meias-finais – numa edição em que já se tinha verificado um 8-3 na fase de grupos, com o Mónaco como vencedor e... o Corunha como derrotado.

 

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