15/12/19
 
 
Vítor Rainho 06/11/2019
Vítor Rainho

vitor.rainho@newsplex.pt

O cúmulo do ridículo: prender traficantes na prisão

Uma operação realizada ontem pela Polícia Judiciária na cadeia de Paços de Ferreira veio pôr a nu aquilo que é evidente há muitos anos. Se nem nas cadeias conseguem controlar o tráfico de droga, como vão consegui-lo nas ruas das cidades, vilas ou aldeias?

O dinheiro gasto a combater pequenos ou grandes traficantes daria para se fazer grandes campanhas de sensibilização contra os malefícios da droga, permitiria que centenas de polícias se focassem em matérias muito mais pertinentes e pouparia aos cofres do Estado milhões de euros. É uma utopia, em pleno séc. xxi, achar que se pode colocar um polícia em cada esquina para prender os traficantes tradicionais, bem como os novos “fabricantes de laboratório”. A guerra contra o tráfico de droga é uma causa perdida e a ilegalização da mesma só ajuda grupos terroristas, além de traficantes ditos normais. Não faltam estudos que o provam. Mas a história da operação da PJ na cadeia de Paços de Ferreira, local onde muitos traficantes estão a cumprir pena por precisamente terem sido apanhados a vender as substâncias proibidas, acaba por ser o reflexo da hipocrisia em que vivemos. Foram presos por vender, mas vendem à mesma na prisão. Isto faz algum sentido?

Alguns países e estados americanos já legalizaram a comercialização da canábis. Penso que, no futuro, todos os países democráticos o farão. Mas não será só a canábis. Os países, mais cedo ou mais tarde, perceberão que é melhor venderem as drogas devidamente controladas do que deixar mafiosos sem escrúpulos adulterarem-nas, causando um mal muito maior aos consumidores e aos Estados, já que aqueles que vão parar aos hospitais são em muito maior número.

Com o dinheiro da legalização, façam lares de terceira idade e creches gratuitas, por exemplo. Aumentem também as reformas miseráveis e ainda sobrará muito para as tais campanhas de sensibilização._Há 30 anos havia centenas de polícias atrás de consumidores de heroína ou de canábis. Hoje, todos achamos isso um disparate. O que falta para perceber o resto?

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