13/12/19
 
 
Marta F. Reis 05/11/2019
Marta F. Reis
Sociedade

marta.reis@newsplex.pt

Dias negros nas estradas

O fim de semana prolongado terminou com um balanço pesado nas estradas: dez mortes, 23 feridos graves, mais de mil acidentes.

As operações especiais das autoridades nestes dias tentam pôr a tónica na prevenção, mas parecem não ser suficientes. E de nada vale a GNR dizer que não se podem tirar conclusões da comparação com a operação do ano passado, em que o feriado de 1 de novembro não ficou encostado a um fim de semana e houve menos mortes.

São todas vítimas a mais. Os números da sinistralidade rodoviária em Portugal já foram maiores no passado, mas continuamos a estar entre os países europeus com mais mortes na estrada, acima da média da UE, e este é um balanço que deve motivar preocupação e levar a uma reflexão de todos sobre o que pode ou não ser evitado e que mensagens devem ser reforçadas à população e com que meios – nas escolas, na instrução automóvel, nas estradas.

José Manuel Trigoso, presidente da Prevenção Rodoviária, alertou para a falta de sensibilização e de fiscalização, para a degradação das estradas e para a fraca pressão sobre os condutores, pedindo ações dirigidas em particular ao uso do telemóvel e excesso de velocidade – um cocktail explosivo, sublinhou. Basta andar na estrada para o ver. No domingo, ao final da tarde, na A1 era notória a impaciência perante filas compactas, com falta de informação sobre trânsito e alternativas, o que por si pode ser um pretexto para pegar no telefone.

O mau estado de algumas vias e a falta de iluminação e de guias em alguns troços é evidente, mas passam-se meses e tudo permanece na mesma, quando não piora. A própria gestão dos acidentes, mesmo quando são toques ligeiros, deixa a desejar, com longas filas e vias condicionadas, ao ponto de pelo menos em Lisboa ser cada vez mais comum ficar parado a meio da manhã e durante a noite, mais uma vez sem que exista proatividade na comunicação com os condutores.

No capítulo da prevenção, nos últimos meses houve uma campanha particularmente bem feita da ANSR, Santa Casa da Misericórdia de Lisboa e TSF, Estrada e Consequência, que partilhou histórias de vítimas de acidentes. Talvez valesse a pena generalizar a mensagem e analisar em tempo útil os comportamentos que acarretam mais riscos e o que pode ser feito para os alterar. Exige-se uma posição mais forte das autoridades que não permita qualquer sinal de conformismo numa área em que podemos melhorar enquanto país.

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