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Um misterioso Malevich?

Um misterioso Malevich?

Mariana Madrinha 04/11/2019 14:56

Bielorrússia afirma que não tem meios para pagar o processo de autenticação da obra.

Chama-se “Homem com Uma Pá”, é um quadro de pequenas dimensões e desde que foi descoberto tem dividido a opinião dos especialistas de arte da Bielorrússia – uns defendem que se trata de um Malevich, outros duvidam da autenticidade da obra e atestam que não saiu das mãos de Kazimir Malevich (1879-1935), um dos mais afamados pintores do século passado e o arquiteto do suprematismo, uma corrente abstracionista que constituiu, à época, uma rutura radical no mundo da arte. A discussão persiste desde 1994, ano em que o quadro foi descoberto na cidade de Hrodna, perto da Polónia. Está exposto desde então na cidade e, na etiqueta que atesta a sua proveniência, os responsáveis escreveram simplesmente: “Malevich?”

Uma interrogação que, ao que parece, ainda não será agora esclarecida. Esta sexta-feira, as autoridades da Bielorrússia assumiram que o Estado não tinha dinheiro para pagar o caro processo de autenticação para provar, “para lá de qualquer dúvida”, que se trata de um Malevich, noticiou a BBC.

Embora não haja ainda um veredicto sobre a autenticidade da pintura, que mede 36,5 por 26,5 cm, muitas vozes do país continuam a afirmar que se trata inequivocamente de uma obra do grande líder das vanguardas russas. Entre elas está Marina Zagidulina, uma perita de arte da Bielorrússia contratada, após o colapso da União Soviética, para se juntar à equipa que identificou as antiguidades descobertas na fronteira. “Foram encontradas muitas coisas no comboio que viajava da Rússia para a Alemanha: miniaturas de Aivazovsky, Bogolyubov, ícones, binóculos, cachimbos, relógios, todos do séc. xix e início do séc. xx”, recorda. Foi numa das incursões que descobriram o quadro – primeiro, pensavam que se tratava de um “pedaço de lixo”. “Queríamos deitá-lo fora mas, como estava escondido, pensámos que provavelmente teria alguma valor”, assumiu Zagidulina à BBC russa. Quando viu o quadro, Marina engasgou-se: “Era obviamente da escola de Malevich”.

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