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Cimeira tecnológica. Maior evento arranca hoje mas ainda em instalações provisórias

Cimeira tecnológica. Maior evento arranca hoje mas ainda em instalações provisórias

Dreamstime Sónia Peres Pinto 04/11/2019 08:43

Depois do braço-de-ferro entre autarquia e Fundação AIP por causa das obras de ampliação da FIL, as negociações deverão ser retomadas. Nesta edição, a Câmara gasta 4,7 milhões só para aluguer de espaços, montagem de tendas e comunicações.

Arranca hoje mais uma edição do Web Summit, mas ainda em instalações “provisórias”. Depois de um braço-de-ferro entre a Câmara Municipal de Lisboa (CML) e a Fundação AIP – que detém a FIL, o Centro de Congressos e a Praça Sony –, a autarquia anunciou que as negociações para a ampliação do espaço vão ser retomadas. A CML pretendia que as obras que estava previsto serem desenvolvidas pela fundação em 10 anos fossem terminadas em três, com vista a responder ao crescimento do evento. “Foi tomada a decisão de se iniciar um processo de negociação formal com a fundação AIP que permita estudar e avaliar de que forma é possível, através de investimento municipal, articular um programa relativamente à expansão da FIL”, afirmou Fernando Medina. O i sabe que este impasse esteve relacionado com as contrapartidas financeiras envolvidas na negociação.

Para esta edição, a autarquia terá de desembolsar 4,7 milhões de euros, além dos três milhões anuais pagos para a realização do evento. “Os 4,7 milhões de euros são relativos ao aluguer de espaços (FIL e Altice Arena), às tendas provisórias para garantir as áreas de exposição de que a organização necessita e a aquisição de logística de comunicação – wi-fi de última geração, crucial para a realização de um evento desta natureza”, revelou a Câmara.

Em cima da mesa está a criação de condições para que o espaço entre pavilhões fique unido, o que irá aumentar de forma significativa a área atualmente existente. Outra das alterações diz respeito à cobertura das traseiras da FIL, o que irá permitir instalar ali salas de reuniões. Também a Praça Sony será alvo de alterações. A ideia é construir um pavilhão com vários andares. Feitas as contas, a expansão da Feira Internacional de Lisboa permite que a área expositiva quase triplique, para cerca de 111 mil metros quadrados. Um investimento contabilizado na ordem dos 150 milhões de euros, daí a Fundação AIP ter apontado um prazo de 10 anos para o desenvolvimento de todas estas obras.

Também o próprio presidente da Câmara reconheceu que “há uma prioridade à expansão da FIL e não uma prioridade à construção de um edifício novo, de raiz”. No entanto, a autarquia reserva a possibilidade de “não havendo entendimento, poder seguir outros caminhos”, ainda que a desejável seja “procurar um entendimento”. E, por isso, considera que “no fundo, a novidade é o início e aceleração do compromisso da expansão da nossa capacidade de feiras e congressos”. Recorda, aliás, que antes da realização da Web Summit “já se falava nisso”. Fernando Medina adiantou também que o objetivo é que esta fase fique concluída até ao fim do primeiro trimestre de 2020.

Recorde-se que o alargamento da FIL é uma obrigação assumida junto de Paddy Cosgrave, para que o evento possa acolher um maior número de participantes. O contrato assinado entre o Estado, a CML e a Connected Intelligence Limited (CIL), empresa que organiza a Web Summit, prevê que a área da FIL mais do que duplique para um mínimo 90 mil metros quadrados de espaços de exposição permanente até 2021.

Aliás, a falta de acordo entre Medina e Rocha de Matos, presidente da Fundação AIP, relativamente ao modelo de expansão da FIL levou Paddy Cosgrave e Fernando Medina a equacionar outros locais para os próximos anos do evento em Lisboa. A Foz do Trancão (entre os concelhos de Lisboa e Loures) e um espaço junto à Feira Popular (em Carnide) foram algumas das localizações que chegaram a estar em cima da mesa.

 

Perspetivas

Ao i, o empresário Tim Vieira garante que o empreendedorismo registou um grande impulso nestes últimos anos, o que se deve, em grande parte, ao mega evento.

Também o presidente da Agência para o Investimento e Comércio Externo de Portugal (AICEP) garantiu ter “perspetivas muito positivas” sobre esta quarta edição. “A Web Summit é sempre uma semana fantástica para nós, há muita ação, muitos clientes novos, há muitos conhecimentos novos”, afirmou Luís Castro Henriques à Lusa.

O responsável apontou ainda as “vitórias” que Portugal tem tido “em termos de investimentos” nos últimos anos. “Temos uma história cada vez mais forte, hoje em dia temos desenvolvimento de software das maiores empresas do setor automóvel alemão em Portugal. Todas”, sublinhou. “Temos a Google, temos a Cisco, temos um conjunto muito alargado de outras empresas americanas e empresas de altíssimo valor tecnológico”, exemplificou, acrescentando que há também tecnológicas inglesas a virem para Portugal e “isso gera interesse das outras geografias”.

A última edição do evento terá gerado cerca de 124 milhões de euros. E, numa altura em que as startups portuguesas representam 1,1% do produto interno bruto (PIB), as que participaram na primeira edição conseguiram angariar até agora cerca de 60 milhões de euros.

O que é certo é que a organização já veio garantir que não há bilhetes disponíveis, acrescentando que o número de participantes “superou as projeções” e que “o número de startups e de parceiros excedeu as expectativas para este ano” em cerca de 20% (ver texto ao lado).

Recorde-se que a primeira conferência aconteceu em Dublin. Fundada por Paddy Cosgrave, Daire Hickey e David Helly, o que começou com uma equipa de três pessoas passou rapidamente a uma organização com centenas de colaboradores. Quando Lisboa começou a posicionar-se para receber o evento, o primeiro-ministro irlandês não escondeu a desilusão por ter perdido a conferência. Enda Kenny sublinhou que o evento sempre foi “muito bom para a Irlanda e a sua reputação nos últimos anos”.

 

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