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O passado e o presente da música barroca ao vivo na Casa da Música

O passado e o presente da música barroca ao vivo na Casa da Música

DR Hugo Geada 30/10/2019 22:35

A Casa da Música, no Porto, recebe, a partir do próximo sábado, a 15.ª edição do festival À Volta do Barroco.

É o mais antigo dos festivais a decorrer na Casa da Música. São já 15 as edições do À Volta do Barroco, que pretende celebrar um dos mais importantes períodos da história da cultura e da música, o Barroco, que ainda ecoa em diversos estilos contemporâneos.

Uma imagem sonora que pode parecer estranha, mas que é fácil de explicar. “O barroco estabeleceu as bases do que é a grande parte da música ocidental europeia, desde a ópera até ao pop e ao rock”, diz Rui Pereira, Coordenador da Orquestra Sinfónica do Porto Casa da Música e musicólogo. “É pela sua importância que, todos os anos, nesta sala, o celebramos da melhor forma: olhando para a sua herança e o produto dessa herança.”

Um legado que, de ano para ano, traz novos protagonistas. Ao i, o musicólogo destacou quatro atuações desta edição que exemplificam este espírito e que se destacam pela heterogeneidade. Exemplo disso é o concerto que irá juntar dois agrupamentos residentes da Casa da Música, com visões artísticas e sonoras bastante diferentes: a Orquestra Barroca da Casa da Música e a Remix Ensemble. Em conjunto, irão interpretar uma versão diferente de A Arte da Fuga, do compositor alemão Johann Sebastian Bach, aqui desconstruída pelo compositor Johannes Schöllhorn (em estreia nacional) e que vai acontecer no dia 10 de novembro às 18h00. “É como se tivéssemos o original em palco e, depois, um grande especialista da música atual a desmontar e criar algo com uma visão completamente diferente. A oportunidade de assistir, no mesmo concerto, a estes dois universos sonoros tão distintos com dois agrupamentos com especialidades tão diferentes é algo que me leva a destacar esta iniciativa”, sustenta.

A primar pela variedade e diversidade de estilos, Rui Pereira destaca, no próximo domingo (dia 3 de novembro) às 18h00, um projeto do agrupamento Sete Lágrimas, chamado precisamente Diáspora, que homenageia a dispersão da comunidade - neste caso, a portuguesa - durante o séc. XV. “É uma recriação, [a partir de] investigações musicológicas, do universo sonoro das passagens dos portugueses por Macau, Índia, Brasil”, explica o coordenador, referindo que, nesta abordagem, o grupo Sete Lágrimas, se vai servir até de instrumentos da época.

Mas há mais propostas, mais convencionais. Nesta linha, o coordenador ressaltou, pela magnificência da música, a interpretação do Coro da Casa da Música da grande oratória Paulus, criada pelo compositor e maestro alemão Felix Mendelssohn, tocada pela primeira vez ao vivo a 1 de março de 1837. Foi esta a peça escolhida para a abertura do festival, no próximo sábado. No dia 8 de novembro, destaque para a atuação da “grande soprano”, a eslovaca Simona Saturova, acompanhada pelo lendário maestro austríaco, Leopold Hager, que, entre diversos temas, vai interpretar Exsultate Jubilate, um dos mais famosos motetos (composição musical religiosa de interpretação maioritariamente vocal) de Mozart.

Para além destas atuações, o festival, que decorre entre os dias 2 de novembro a 17 de novembro, conta com o recital De Um Gosto Estrangeiro de Sofia Diniz (viola da gamba) e Fernando Miguel Jalôto (cravo) em que vão interpretar obras de Marin Marais, François Couperin e Jean-Philippe Rameau (5 de novembro). A 12 de novembro há uma segunda performance do casamento entre a Orquestra Barroca e do Remix Ensemble com Virtuosismo Impossível, momento em que vão explorar a exímia técnica associada a este período histórico. A Polifonia Intemporal, aqui apresentada pelo Coro da Casa da Música, vai encerrar o festival. Neste espetáculo, serão interpretados temas do período dourado da polifonia portuguesa, com obras de autores como Pedro de Cristo, Duarte Lobo e Manuel de Correia.

Editado por Mariana Madrinha

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