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Sócrates chegou “bem-disposto”, disse que não nomeou Vara e voltou a refutar a acusação

Sócrates chegou “bem-disposto”, disse que não nomeou Vara e voltou a refutar a acusação

Mafalda Gomes Carlos Diogo Santos 30/10/2019 09:47

José Sócrates disse à saída do tribunal que está “satisfeito com o que está a acontecer”. Ex-primeiro-ministro recusou comentar o que disse dentro da sala de audiências.

José Sócrates chegou ontem ao Tribunal Central de Instrução Criminal sorridente, dizendo-se “bem disposto”, e aproveitou para lançar algumas farpas aos jornalistas presentes. “Olhando para as primeiras páginas dos jornais fico com a sensação que as fontes habituais que vocês têm estão um pouco desorientadas”, disse o ex-primeiro-ministro. Cinco horas depois, quando saiu, voltou à carga: “Não vou fazer comentários sobre o que se passou no interrogatório. Estou satisfeito com o que está a acontecer. As vossas fontes estão desorientadas”.

Depois de um primeiro dia de interrogatório dedicado à OPA falhada da Sonae sobre a Portugal Telecom e as alegadas luvas pagas pelo Grupo Espírito Santo, José Sócrates esteve ontem a responder às perguntas do juiz Ivo Rosa relativas a outras partes da acusação: a relação que tinha com o empresário Carlos Santos Silva e com o ex-administrador do Grupo Lena Joaquim Barroca, a nomeação de Armando Vara para a administração da Caixa Geral de Depósitos, os negócios relativos ao empreendimento de Vale de Lobo e as viagens do ex-Presidente do Brasil Lula da Silva a Portugal.

 

Não conhecia Barroca e não queria nomeação de Vara

Sócrates terá garantido que não só não nomeou Armando Vara para a administração do banco público, como ainda mostrou relutância à decisão de Teixeira dos Santos – uma versão que já tinha sido dada por este último.

Sobre Joaquim Barroca terá afastado a ideia de ser uma pessoa conhecida, algo que a defesa do ex-administrador do Grupo Lena considerou ter sido mais um passo na demonstração de inocência do seu cliente.

“As declarações sobre essa temática [tudo o que envolver Barroca e o Grupo Lena] confirmaram a total inocência de Joaquim Barroca. A tranquilidade do meu constituinte aumenta à medida que as diligências decorrem”, disse ontem o advogado Castanheira Neves, que defende Barroca, à saída do Tribunal Central de Instrução Criminal.

Recorde-se que para o Ministério Público Carlos Santos Silva era o testa-de-ferro de Sócrates e que as quantias de dinheiro que eram entregues ao ex-primeiro-ministro não se tratavam de empréstimos, mas de dinheiro próprio que teria em contas daquele amigo. A acusação defende ainda que o ex-governante beneficiou o Grupo Lena e que terá usado a influência de Lula da Silva em negócios que envolviam empresas brasileiras, como é o caso da fusão da PT com a Oi.

Quanto a Vale de Lobo, o MP defende que o ex-primeiro ministro terá recebido um milhão em luvas do grupo que detém o empreendimento de luxo para que Armando Vara fosse nomeado e desse o seu ok a um financiamento de 200 milhões àquele grupo.

Rosário Teixeira diz que contas se fazem no fim O procurador que liderou a investigação do caso Marquês, Rosário Teixeira, chegou ontem cerca das 14h ao Tribunal Central de Instrução Criminal. Apesar de não querer comentar as diligências que aconteceram no dia anterior, quando confrontado com as críticas que José Sócrates fizera na segunda-feira à acusação do Ministério Público, Rosário Teixeira afirmou: “O senhor engenheiro diz o que quiser sobre essas coisas. E, no fim, a gente faz contas”.

O Ministério Público, através do departamento que investiga a criminalidade mais complexa – o DCIAP –, acusou 28 arguidos, 19 pessoas singulares e nove pessoas coletivas, no âmbito da designada Operação Marquês, em 2017 . José Sócrates está acusado de crimes de corrupção passiva de titular de cargo político (três crimes), branqueamento de capitais (16 crimes), falsificação de documento (nove crimes) e fraude fiscal qualificada (três crimes). A instrução é uma fase facultativa cuja abertura é pedida pelos arguidos e na qual um juiz de instrução, neste caso Ivo Rosa, decide se há ou não indícios suficientes para se avançar para julgamento, como defende a acusação.

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