14/12/19
 
 
António Luís Marinho 25/10/2019
António Luís Marinho
cronista

opiniao@newsplex.pt

Ena tantos(as)!

Com tanta fartura de secretarias de Estado, resta saber se se procuraram pessoas para os cargos ou se criaram cargos para as pessoas.

“O melhor Governo é aquele em que há o menor número de homens inúteis.”

Voltaire

Ora aí está, acabadinho de sair do forno, o novo Governo. E que Governo!

Não me refiro à qualidade, porque essa ainda tem de ser demonstrada, mas à quantidade: 19 ministros e 50 (cinquenta!) secretários de Estado.

É caso para dizer que há ajudantes de ministros para todos os gostos, desde a Valorização do Interior - veremos o que sai daqui -, passando por uma adjunta da Saúde ao lado de outro também da Saúde, até ao Cinema, Audiovisual e Média. 

Com tanta fartura de secretarias de Estado, resta saber agora se se procuraram pessoas para os cargos ou se criaram cargos para as pessoas, tal a fartura de deputados e autarcas socialistas agora promovidos.

Surpresa maior foi, sem dúvida, a criação de uma Secretaria de Estado à exata medida do seu titular, Nuno Artur Silva.

O incompatível ex-administrador da RTP torna-se agora compatível secretário de Estado do Cinema, Audiovisual e Média, exatamente a área em que possuiu, até à passada quarta-feira, óbvios interesses. 

Agora prometeu, pela segunda vez, vender a sua participação nas empresas que possui. A promessa não foi cumprida há quatro anos. Mas, desta vez, cumpriu. Vendeu a sua participação a um sobrinho! E veio rapidamente esclarecer que é legal. Portanto, fica tudo, legalmente, em família. E viva a transparência!

Até será fácil saber o valor da venda, uma vez que terá de declarar os seus rendimentos ao Tribunal Constitucional.

António Feijó, o inefável membro do inexistente CGI, que em 25 de janeiro de 2018 assinava um comunicado em que se afirmava que a continuidade no cargo do então administrador era “incompatível com a irresolução do conflito de interesses entre a sua posição na empresa e os seus interesses patrimoniais privados, cuja manutenção não é aceitável” (já existiam desde a sua pretensa escolha pelo mesmo CGI, em 2015), vem agora saudar a nomeação e afirmar que já não existem incompatibilidades porque “não vai ter uma interferência na gestão direta da empresa”. Porque será?

Agora, com um humorista no Governo, esperamos que o Executivo não se transforme numa verdadeira anedota.

Jornalista

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