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PSD. Rio, um “mártir” que divide o partido

PSD. Rio, um “mártir” que divide o partido

Mafalda Gomes Cristina Rita 23/10/2019 08:54

Antes das eleições diretas, presidente ‘laranja’ vai a votos para liderar bancada e não se espera contestação.

As reações a Rui Rio, recandidato a presidente do PSD, não se fizerem esperar e o discurso parece alinhado do lado dos adversários: responsabilizar o atual presidente dos sociais-democratas por ter dividido o partido.

A próxima etapa interna é eleger um novo líder da bancada do PSD assim que o Parlamento tome posse. Assim, Rio vai a votos, acumulando as duas funções. E terá de ter uma nova equipa de vice-presidentes da bancada. Antecipa-se alguma revolta interna na bancada? Não, segundo várias fontes parlamentares ouvidas pelo i. Primeiro, a bancada tem novos eleitos, mais alinhados com o presidente social-democrata. Mas, mesmo entre os críticos que apoiam os adversários, entre Luís Montenegro e Pinto Luz, não se espera grande contestação na hora de votar. Isto desde que Rio cumpra o que disse: fica no cargo com um mandato a prazo, até fevereiro, mês do congresso eletivo estatutário, a marcar em conselho nacional no próximo dia 8, em Bragança.

Contudo, as reações de ontem revelaram várias preocupações, a saber, a liderança parlamentar de Rui Rio ter de ser mesmo a prazo, e o presidente do partido não usar meios dos sociais-democratas para fazer campanha.

Entre os apoiantes de Luís Montenegro, o primeiro a assumir uma candidatura, o tom foi mais duro, do que o da equipa de Pinto Luz, autarca em Cascais.

Aos críticos e opositores, apoiantes de Luís Montenegro, não escapou nada. A convocação da declaração de Rui Rio e o replicar da mensagem nos meios oficiais do PSD. “O que assistimos ontem foi uma confusão que espero que não seja replicada de utilização da máquina do partido e recursos do partido para promoção pessoal da candidatura de Rui Rio”, declarou Pedro Duarte, citado pela Lusa, apoiante de Luís Montenegro. E deixou um apelo ao atual líder. Para futuro “não use recursos e meios do PSD para fins pessoais”.

Mas esta foi apenas uma parte da mensagem. Pedro Duarte, que está a colaborar com Montenegro para a elaboração do manifesto político do antigo líder parlamentar, considerou que o presidente do PSD foi “clarificador” no discurso. “Ficou muito claro que há duas linhas de orientação política que os militantes poderão escolher: por um lado, uma linha em que Rui Rio afirma a vontade de separar, rasgar e dividir o partido entre os que gostam e os que não gostam dele”, declarou o ex-secretário de Estado Pedro Duarte.

Mais tarde, Hugo Soares, também apoiante de Montenegro, encontrou no discurso de Rio um registo de “bastante azedume, virado para dentro, fazendo dos militantes o seu principal adversário”. Mais, acrescentou que o líder social-democrata não teve “uma palavra de ataque ao PS”, afirmou, citado pela TSF. Ora, houve quem registasse ao i que Rio decidiu avançar no dia em que Costa apresentou a sua equipa completa de governo a Belém.

Por sua vez, a deputada cessante Teresa Morais usou o Facebook para criticar o líder do PSD. “Rui Rio, o Mártir”, foi o título que deu ao comentário, usando algum sarcasmo: “ Coitado dele, lá fará esse imenso sacrifício de se recandidatar! Candidata-se para evitar a fragmentação do PSD, o partido de que foi presidente dois anos e que foi incapaz de unir”, escreveu a apoiante de Luís Montenegro.

A versão de Pinto Luz Do lado do candidato Miguel Pinto Luz, falou o líder da concelhia de Coimbra, Nuno Freitas, e o antigo dirigente do PSD José Eduardo Martins. Este último, que votou em Rio há dois anos, assegurou que o atual líder só se pode queixar dele próprio: “Acho que Rui Rio tem pouca razão de queixa de fragmentação do partido”, declarou, citado pela TSF. Já Nuno Freitas pediu a Rio que oiça o PSD, porque o problema “não está na fragmentação” dos sociais-democratas.

Negrão sem mágoa e Moedas fora Quem está de saída da liderança da bancada é Fernando Negrão, que sai sem mágoa, mas adverte que o facto de Rio acumular a presidência com a liderança da bancada deve ser uma solução a prazo e não definitiva. De facto, no passado, em 1995, Fernando Nogueira acumulou os dois cargos, mas porque Laborinho Lúcio não conseguiu a eleição. Por isso, teve de assumir as duas responsabilidades no partido.

Por sua vez, o comissário europeu, Carlos Moedas, assegurou que irá estar fora da política ativa e não se pronunciou sobre o candidatos à liderança do PSD. “Neste momento, acabarei de ser comissário e depois vou ter realmente um tempo fora da política ativa e esse tempo será a servir as pessoas”, declarou Moedas, em Estrasburgo, citado pela RTP, numa declaração aos jornalistas. O i tentou contactar Jorge Moreira da Silva, antigo ministro do ambiente, para saber se será candidato, mas sem êxito.

 

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