18/11/19
 
 
Marta F. Reis 21/10/2019
Marta F. Reis
Sociedade

marta.reis@newsplex.pt

Ministra do desafio demográfico

A preocupação não é nova, mas entre diagnósticos, grupos de trabalho e medidas propostas, vem soando a uma espécie de fado, um “logo se vê” que país poderá ser este em que por cada 100 jovens haverá o triplo de idosos no final do século, com todos os desafios sociais que o inverno demográfico irá trazer.

O fim de semana ficou marcado por duas chamadas de atenção para o problema demográfico do país. O Eurostat renovou as projeções de que Portugal será, em 2050, o país mais envelhecido da Europa e novos dados revelados pela Pordata reforçam o alerta sobre a acentuada crise de natalidade – somos o terceiro país com menos crianças e jovens até aos 15 anos, um dos países com menos filhos por mulher em idade fértil, indicador de forma continuada abaixo da média da União Europeia.

A preocupação não é nova, mas entre diagnósticos, grupos de trabalho e medidas propostas, vem soando a uma espécie de fado, um “logo se vê” que país poderá ser este em que por cada 100 jovens haverá o triplo de idosos no final do século, com todos os desafios sociais que o inverno demográfico irá trazer.

A velocidade do envelhecimento em Portugal impressiona: em 2018, segundo dados do Instituto Nacional de Estatística, o país tinha 1,4 milhões de crianças e jovens até aos 15 anos. No início dos anos 90 eram 1,9 milhões. Nessa altura viviam em Portugal 900 mil pessoas com mais de 70 anos, hoje são 1,6 milhões. Em 1991 o país tinha 94 mil pessoas com mais de 85 anos e 549 mil crianças até aos quatro anos de idade. Em 2018 eram 310 mil, já não muito longe de 430 mil crianças com menos de quatro anos. 

Na organização do novo Governo há preocupações patentes com o futuro. Pedro Siza Vieira será agora ministro de Estado, da Economia e da Transição Digital. João Matos Fernandes será ministro do Ambiente e da Ação Climática. A Ministra Estado e da Presidência terá a coordenação do “desafio estratégico” da demografia, assim como das desigualdades, mas nem um nem outro tema foram elevados a pasta na organização ministerial. É pena, seria tão ou mais simbólico ter uma ministra do desafio demográfico.

Pode parecer menos futurista, mas falar de incentivos à natalidade, preparar o país para o envelhecimento, combater o isolamento e promover o bem-estar em todas as idades é cada vez mais incontornável. Talvez a pasta ainda seja entregue a um secretário de Estado – a composição é conhecida hoje. É vital uma estratégia.

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