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Moçambique. Uma eleição questionada desde o início

Moçambique. Uma eleição questionada desde o início

Adamo Halde em Maputo 16/10/2019 09:28

Renamo queixou-se de fraudes eleitorais a favor da Frelimo e recusa aceitar quaisquer “eleições manipuladas”. Acordo de paz entre as duas forças é muito recente.

A votação de ontem em Moçambique arrancou com denúncias de atos eleitorais ilícitos logo às primeiras horas. A Renamo fala de pré-marcação de boletins de voto a favor da Frelimo e tentativa de enchimento de urnas. Entre os denunciantes está Ossufo Momade, candidato da Renamo à Presidência da República, que disse ter “neutralizado membros da Frelimo com boletins pré-marcados a favor” desta formação política. Momade já avisou que nunca vai aceitar resultados eleitorais manipulados, mas fica por saber o que quer dizer com isso, até porque a Frelimo e a Renamo assinaram, ainda muito recentemente, um acordo de paz para pôr fim à guerra civil.

Desde o início do processo eleitoral que a Frelimo é acusada pela oposição de querer vencer as IV eleições gerais e III eleições provinciais de forma fraudulenta. “Não brinquemos com o sentimento do povo, deixemos o povo fazer a sua escolha. Mandaram blindados para as províncias do centro e norte [do país] com o objetivo claro de viciarem [os resultados eleitorais] e amedrontarem o povo. Por isso, meu povo, o nosso combinado prevalece. Votou, ficou. A vitória é certa”, lê-se no Facebook de Ossufo Momad.

O candidato da Renamo exerceu o seu direito de voto em Nampula, onde se terão registado tentativas de enchimento de urnas – levando à paralisação temporária de algumas assembleias de voto. Casos semelhantes terão ocorrido na Zambézia, onde uma escrutinadora se terá deparado com boletins de voto pré-marcados para a Frelimo, prestes a ser introduzidos nas urnas, segundo reportou o Centro de Integridade Pública, organização da sociedade civil com observadores eleitorais em todo o país.

Eleições calmas Apesar destas acusações de fraude – e de uma campanha marcada pela tragédia –, no geral o processo de votação arrancou em todo o país de forma ordeira. Os pequenos incidentes registados não colocaram em causa o ato eleitoral. No primeiro balanço do dia, o diretor do Secretariado Técnico de Administração Eleitoral (STAE), Felisberto Naife, disse desconhecer qualquer denúncia formal. “Ainda não recebemos nenhuma denúncia formal de ilícitos eleitorais. Em caso de registo de ilícitos eleitorais, eles são denunciados a nível do STAE local, depois provincial… Não podemos esperar que todos os problemas sejam prontamente resolvidos a nível central. E também os tribunais estão a funcionar para dirimir estes assuntos”, garantiu.

O balanço positivo do processo é igualmente partilhado pelo chefe de observadores da União Eleitoral, Sáncho Amor.

Apelos à paz e a votação Dirigindo-se à imprensa momentos depois de votar, o candidato da Frelimo à Presidência da República, Filipe Nyusi, pediu um comportamento pacífico durante o processo eleitoral e em todos os outros momentos da vida do país.

Já os antigos Presidentes de Moçambique Armando Guebuza e Joaquim Chissano apelaram a uma afluência massiva às urnas para que imponha a vontade do povo.

Um total de 13,1 milhões de eleitores moçambicanos escolheram ontem o Presidente da República, 250 deputados do parlamento, dez governadores provinciais e respetivas assembleias provinciais.

 

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