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Nobel. “Mitigação da pobreza” premeia três economistas

Nobel. “Mitigação da pobreza” premeia três economistas

Daniela Soares Ferreira 15/10/2019 13:23

Abhijit Banerjee, Esther Duflo e Michael Kremer foram distinguidos ontem pelo seu trabalho na luta contra a pobreza a nível mundial.

Não foi um nem dois, mas três. O Nobel da Economia deste ano foi entregue aos economistas Abhijit Banerjee, Esther Duflo e Michael Kremer. O americano nascido na Índia, a franco-americana e o americano, respetivamente, foram premiados pelo trabalho desenvolvido no combate à pobreza mundial.

Os galardoados vão dividir em partes iguais um prémio de nove milhões de coroas suecas, o equivalente a 830 mil euros. A cerimónia de entrega do prémio está marcada para dezembro.

Segundo a Academia Sueca, “a investigação levada a cabo pelos laureados melhorou consideravelmente a nossa capacidade para combater a pobreza global. Em apenas duas décadas, as suas novas abordagens baseadas em experiências transformaram o desenvolvimento da economia”. A academia garante ainda que a principal inovação dos premiados foi dividir as questões da pobreza global em questões menores que podem ser abordadas mais facilmente.

Através dos seus trabalhos, mais de cinco milhões de crianças indianas têm beneficiado de programas eficientes nas escolas. Mas não só: foram introduzidos em vários países fortes subsídios para cuidados de saúde preventivos. Aliás, uma das suas experiências mostra que as pessoas mais pobres são extremamente sensíveis a preços e gratuidade nos cuidados de saúde preventivos.

Estes são apenas dois exemplos dos vários trabalhos realizados pelo trio, mas o júri considera que as suas investigações têm sido uma mais-valia para melhorar a vida de milhões de pessoas um pouco por todo o mundo.

Durante a apresentação dos vencedores, o comité relembrou que “mais de 700 mil pessoas ainda vivem na pobreza. Uma em cada três crianças está malnutrida e a maior parte das crianças abandonam a escola sem conhecimentos básicos de leitura, escrita e matemática”. E é exatamente nesta vertente que o trabalho dos três economistas se destaca, uma vez que desenvolveram “modelos experimentais que contribuíram para políticas e incentivos” no que diz respeito à mitigação da pobreza a nível mundial.

 

Segunda mulher a receber Nobel da Economia

Esther Duflo nasceu em Paris em 1972 e é a segunda mulher a vencer um Nobel da Economia, sendo também a mais nova. Pouco depois, reagiu à distinção. “Mostrando que é possível que uma mulher seja bem-sucedida, espero inspirar muitas, muitas outras mulheres a continuarem a trabalhar e muitos outros homens a dar-lhes o respeito que merecem, como todos os seres humanos”, disse a premiada. Na sua opinião, “os economistas têm uma péssima reputação e parte dessa má reputação justifica-se, provavelmente, pela maneira como a disciplina funciona. Quando uma pessoa é economista, as pessoas pensam que está interessada em finanças ou que trabalha para os ricos, mas não é necessariamente o caso”.

Nos últimos anos, o seu trabalho tem crescido, tendo já ganho outros prémios, como a medalha John Bates Clark em 2010.

Duflo é casada com outro Nobel da Economia deste ano, Abhijit Banerjee, que é professor de Economia da Ford Foundation no Massachusetts Institute of Technology (MIT), nos EUA. Dos vários trabalhos elaborados destacam-se as colaborações com a ONU e a Save The Children.

Já o norte-americano Michael Kremer é conhecido pelas suas pesquisas nas áreas da educação e saúde em África e na América Latina. É atualmente professor de Sociedade de Desenvolvimento no Departamento de Economia de Harvard.

Recorde-se que o Nobel da Economia é o único que não foi criado por Alfred Nobel. A ideia surgiu mais tarde, em 1968, do banco central sueco, Sveriges Riskbank – que dá o nome a esta distinção –, como forma de homenagear Alfred Nobel.

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