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Consolidar créditos. Saiba o que tem de fazer

Consolidar créditos. Saiba o que tem de fazer

Sónia Peres Pinto 14/10/2019 22:36

Juntar vários créditos num só pode dar um maior alívio mensal. Mas nem sempre é vantajoso, pois pode significar pagar mais juros. Conte também com despesas de comissões e penalizações por reembolso antecipado.

 

Juntar ao crédito à habitação pequenos empréstimos - como o automóvel, viagens ou eletrodomésticos - é uma das soluções encontradas pelos portugueses com vista a aliviar os seus encargos mensais. Mas se a ideia parece tentadora por conseguir uma folga no final do mês, na prática poderá não ser a melhor solução. A explicação é simples: acaba por pagar mais no final do empréstimo.

Vamos a contas, utilizando como exemplo um cenário em que os encargos mensais absorvem 1788,33 euros do orçamento. Como existem dificuldades em pagar todas as prestações, a ideia é ir ao banco e pedir para juntar tudo no crédito à habitação, a pagar em 30 anos.

A verdade é que muito dificilmente o banco aceitará fazer a consolidação sem aumentar a margem de lucro. Se aceitar, para um spread que se mantenha a 1%, sem agravamento da Euribor, os encargos mensais baixam para 547,78 euros, resultando numa folga mensal de 1240,55 euros. Porém, no final dos 30 anos terá desembolsado 1613,14 euros a mais em juros. Se houver subidas na Euribor, poderá pagar muito mais.

Mas além de pagar mais conte também com um possível agravamento do spread, já que a grande maioria dos bancos, face a um pedido destes, considera que houve mudanças contratuais. Isso significa que quem recorre a essa solução pode sentir uma mensalidade ligeiramente mais reduzida mas, no final do prazo, vai ver que irá pagar mais juros. E há casos em que essa subida pode ser muito elevada.

Cuidados a ter Outro fator a ter em conta diz respeito ao indexante no crédito à habitação. A explicação é simples: os créditos mais pequenos têm taxa fixa e a maioria dos empréstimos à habitação estão indexados à taxa Euribor. Além disso, ao consolidar os diversos créditos - liquidando os anteriores -, os clientes vão pagar uma comissão por amortização antecipada desses empréstimos. Por isso mesmo, há que fazer bem as contas e verificar se vale ou não a pena.

Geralmente, o crédito da casa tem o prazo mais longo e a taxa de juro mais baixa, pelo que compensa associar os restantes a este. Fica a pagar em 30 anos a acumulação dos vários empréstimos. A curto prazo, ganha em liquidez, mas a longo prazo paga mais juros. Por outro lado, o total das prestações não deve ultrapassar os 35% do rendimento mensal familiar; caso contrário está no limiar de uma situação de sobre-endividamento.

E apesar dos sinais de melhoria da situação económica do país, estes não estão a ser suficientes para travar os problemas de muitos portugueses. De acordo com os últimos dados divulgados pelo Gabinete de Apoio ao Sobre-endividado (GAS) da Deco - Associação Portuguesa para a Defesa do Consumidor, em 2016 houve um total de 29 530 pedidos de ajuda por parte de famílias em situação económica difícil. Feitas as contas, este número é o mais elevado desde que a troika chegou a Portugal, em 2011. 

Com ou sem hipoteca Mas se decidiu que a melhor solução é mesmo consolidar créditos, então terá de decidir se quer optar pelo crédito com ou sem hipoteca. No primeiro caso pode obter um prazo mais alargado e uma taxa de juro inferior, mas suporta custos iniciais mais elevados. No segundo, as despesas iniciais são menos pesadas, mas os montantes e o prazo são inferiores.

Sem um crédito hipotecário, a consolidação passa por um crédito pessoal. Mas a redução mensal das prestações é inferior (cerca de 20%), já que o volume total de juros aumenta substancialmente. Convém não esquecer que muitas instituições financeiras exigem como garantia um imóvel que deverá ter um valor comercial igual ou superior ao dobro do total de créditos. Aliás, muito dificilmente os consumidores conseguirão uma consolidação se não tiverem uma habitação para dar como garantia. 

A verdade é que existem várias empresas a atuar nesta área no mercado nacional, mas é essencial que perceba como funcionam para não ter surpresas desagradáveis.

DICAS para consolidar

1 - Previna-se primeiro

Rendimento mensal 

Faça as contas às suas prestações mensais e verifique se o total não ultrapassa 35% do rendimento mensal. Além disso, deverá criar um pé-de--meia para prevenir eventuais imprevistos. O ideal é que este montante corresponda a cinco ou seis vezes o rendimento mensal familiar. Este montante poderá ajudá-lo a fazer face a eventuais despesas extra, por exemplo, uma situação de desemprego ou um problema de saúde.

2 - Fale com o seu banco

Renegociar condições

Fale com o seu banco e tente renegociar as atuais condições de crédito. Por exemplo, renegociar o crédito à habitação poderá permitir uma maior folga mensal. Não se esqueça que a consolidação permite baixar a prestação, mas é uma opção que pode sair bem mais cara. Além dos juros, conte ainda com os custos de abertura de processo ou com a penalização por amortização antecipada dos créditos.

3  - Opte pelo crédito hipotecário

Hipoteca sobre imóvel 

Nem sempre é fácil encontrar instituições financeiras que permitam juntar vários créditos num só. Mas, quando isso acontece, e se optar pela consolidação de créditos, prefira um crédito hipotecário - em que é constituída uma hipoteca sobre um imóvel como garantia em favor do credor - em detrimento de um crédito pessoal.

4 - Questione sempre tudo

Analise taxas 

Quando estiver a negociar o crédito questione sempre os custos do processo. Não se esqueça de analisar ao raio-X as taxas praticadas. É o caso da taxa anual efetiva (TAE) e da taxa anual efetiva global (TAEG), já que estas vão refletir o custo total do crédito. Deve também tentar uma redução ou uma isenção das comissões, como a que incide sobre a amortização antecipada dos créditos. Depois disso, faça bem as contas.


5 - Avance se for indispensável 

Compare propostas 

Só deve consolidar os seus créditos se for mesmo indispensável, ou seja, quando chegar mesmo à conclusão de que não consegue pagar as suas prestações. Se for esse o seu caso, consulte várias instituições de crédito, apresente os valores em dívida e depois compare as várias propostas apresentadas. Só desta forma estará em condições de optar pela proposta mais vantajosa para o seu caso.

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