23/9/20
 
 
Vítor Rainho 11/10/2019
Vítor Rainho

vitor.rainho@ionline.pt

Rui Rio fez lembrar Álvaro Cunhal

Rio teve ainda a distinta lata de dizer que o CDS, em 2015, representava 8% dos votos!

Não é novidade para ninguém que o PSD é o partido mais divertido da nossa praça. As guerras internas aparecem com mais facilidade na comunicação social do que os desabafos de jogadores do Sporting. Para um jornalista, é óbvio que isso é muito mais interessante do que um partido que é uma fortaleza, género PCP ou BE, este mais quando era liderado pelo camarada Francisco Louçã, hoje um ilustre conselheiro de Estado e consultor do Banco de Portugal. O guru Louçã ameaçava castigar todos os que fossem para a praça pública revelar o seu descontentamento.

Os mais antigos recordam-se da perestroika do PCP, em que uma série de notícias davam conta dos contestatários da linha seguida por Álvaro Cunhal. Os jornais que recolhiam os testemunhos dos camaradas que se preparavam para sair ou para serem expulsos, a chamada ala renovadora – depois foram os da corrente Política xxi – eram considerados perigosos meios ao serviço da burguesia, penso que era o mais simpático que saía da Soeiro Pereira Gomes.

Mas voltemos ao PSD, um manancial de notícias sempre que há luta interna, até por ser dos mais democratas, já que está na sua génese a crítica. Na noite do passado domingo, Rui Rio, um homem verdadeiramente hilariante, fez-nos recordar Álvaro Cunhal nas noites eleitorais. O camarada tentava sempre dar a volta ao texto, leia-se maus resultados, e culpava as sondagens e os meios de comunicação social burgueses. Rui Rio não quis ver ou não percebeu que o seu partido foi um dos grandes derrotados, até atendendo ao resultado que Passos Coelho tinha conseguido em 2015, depois de um dos períodos mais negros da nossa história, com as imposições da troika. Rio teve ainda a distinta lata de dizer que o CDS, em 2015, representava 8% dos votos!

Mas se Rio decidir sair da liderança do partido, como irá fazer oposição o novo presidente do PSD? É que as tropas que estão no Parlamento são todas fiéis ao atual líder do partido. Costa, mais uma vez, deve estar a rir de tudo. Do PSD e dos companheiros da geringonça. Afinal, vai poder fazer casamentos à la carte.

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