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Irão-Camboja. Uma imagem para a história: iranianas voltam aos estádios de futebol

Irão-Camboja. Uma imagem para a história: iranianas voltam aos estádios de futebol

Laura Ramires 10/10/2019 17:21

Há quatro décadas que as mulheres iranianas estavam proibidas de entrar em estádios. Fim da interdição festejada com uma goleada por 14-0!

Hoje, quatro décadas depois, as mulheres iranianas voltaram a deslocar-se até a um estádio para assistirem a um jogo de futebol, neste caso em concreto para apoiar a seleção no encontro diante do Camboja, de qualificação asiática para o Mundial de 2022. 

Uma imagem histórica, que não se via, de resto, desde 1979, altura em que ficou concluída a revolução islâmica e em que ficou decidido que as iranianas ficariam interditas de marcar presença nos estádios de modo a ficarem protegidas dos homens.

O Irão foi, assim, a última nação do mundo a proibir mulheres em partidas de futebol depois de a vizinha Arábia Saudita ter permitido pela primeira vez que um grupo de mulheres assistisse a um jogo de futebol em janeiro de 2018.

De notar, porém, que este passo esteve longe de ser dado de uma forma natural. A abertura dos estádios a mulheres surge, recorde-se, precisamente um mês depois de a iraniana Sahar Khodayari, de 29 anos, se ter imolado em frente a um tribunal de Teerão após ter sido condenada a seis meses de prisão por tentar ir a um jogo.

A “garota azul”, como ficou conhecida  por usar as cores do seu clube, os iranianos do Esteghlal, fingiu ser um homem e usava uma peruca azul para tentar entrar no recinto desportivo quando acabou detida pela polícia.
A morte da jovem agitou o mundo do futebol, com as redes sociais a serem o principal meio de um protesto contra as regras da rígida separação de géneros. 

A revolta pelo sucedido levou mesmo a que vários protagonistas do futebol mundial exigissem medidas radicais – exemplo disso foi o pedido feito à FIFA para banir o Irão das competições internacionais.
Na altura, o organismo que tutela o futebol mundial fez-se representar em Teerão, garantindo entretanto ter recebido  garantias por parte das entidadaes governamentais de que as mulheres seriam autorizadas a entrar nos estádios.

E assim foi.

Hoje, no estádio Azadi, na capital iraniana, foram atribuídos quatro mil ingressos a mulheres, num recinto com a capacidade para cerca de 80,000 espetadores. O resultado, esse, seria sempre pouco importante mas também o marcador fez questão de deixar este regresso marcado para a história do futebol: 14-0!!!!

Numa jornada inédita para o futebol iraniano e mundial, Mehdi Taremi, avançado do Rio Ave, bisou, ao passo que Mehrdad Mohammadi (Desp. Aves), também apontou um golo, naquela que foi a sua primeira internacionalização pelo Irão.

Contas feitas, o Irão segue cada vez mais forte na fase de qualificação asiática, agora com 16 golos marcados em apenas dois jogos (e nenhum sofrido).

Uma goleada histórica para brindar, de resto, a verdadeira vitória, que estava nas bancadas.

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