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Billie Eilish, a voz da geração Z

Billie Eilish, a voz da geração Z

Jornal i 09/10/2019 18:35

No dia em que lançou a sua primeira música no YouTube, com apenas 14 anos, a cantora nunca pensou que mais de 165 milhões de pessoas vissem o vídeo. 

É a mais conhecida estrela pop nascida no séc. xxi. Com apenas 17 anos, Billie Eilish já conquistou meio mundo e serão poucos os que ainda não se cruzaram com o nome da cantora norte-americana, que atuou recentemente na Altice Arena e foi confirmada como uma das cabeças-de-cartaz da próxima edição do festival Nos Alive.

O fenómeno não é novo: de quando em vez, lá surge um nome na música que rapidamente escala ao patamar de fenómeno mundial, com fãs completamente obcecados pela vida destes artistas, desde os Beatles a Michael Jackson, de Beyoncé a Justin Bieber. Agora, parece ter chegado a vez de Billie Eilish. Um verdadeiro sucesso entre as camadas mais jovens: é difícil encontrar uma criança ou um jovem entre os 11 e 19 anos que não saiba que a cantora lançou a sua primeira música – Ocean Eyes – em 2015 (com apenas 14 anos), escrita pelo irmão mais velho. Se a conversa prosseguir, o mais provável é que esses mesmos jovens falem do estilo da cantora, que se define pela profusão de pulseiras, anéis e colares usados em simultâneo. Apesar do fenómeno, os fãs sentem que Eilish é um segredo muito bem guardado e que, apesar de chegar às massas, a cantora é diferente. 

Dave Grohl, antigo baterista dos Nirvana e vocalista dos Foo Fighters, comparou a maneira como a cantora se conecta com o público com a dos Nirvana: “Eu não sei como descrever a música dela, não sei definir, mas é autêntica e, por isso, acho que posso chamar-lhe rock and roll”. 

No início deste ano, Billie Eilish lançou o seu primeiro álbum de originais, When We All Fall Asleep, Where Do We Go?, em que a mensagem que pretende passar foi pela primeira vez sistematizada. É um álbum recheado das suas primeiras experiências pessoais, vividas num ano só – estar apaixonada, a morte de alguém muito próximo, ser famosa. E, para além das experiências, Eilish aventurou-se por temas que podem roçar a responsabilidade social como, por exemplo, na música Xanny, que se refere ao medicamento Xanax e é um alerta para os mais jovens. A cantora disse ao Guardian que nunca experimentou drogas, nunca fumou nada nem nunca bebeu demasiado, referindo que tem coisas mais interessantes para fazer.

Crescer em casa Billie nasceu no dia 18 de dezembro de 2001, em Los Angeles, e foi educada em casa juntamente com o irmão mais velho, com quem, depois do sucesso do primeiro tema, continua a escrever a maior parte das músicas. Desde cedo que os pais incentivaram o lado mais criativo da jovem cantora, que teve aulas de dança e de piano. E, nos tempos livres, também andava a cavalo. Na mesma entrevista ao Guardian, Eilish contou que todos estes privilégios foram conquistados. Por exemplo, para conseguir andar a cavalo, a jovem trabalhava numa escola de equitação – a moeda de troca era, portanto, as aulas.

A cantora, que diz ter nascido numa “zona péssima” da Califórnia, e não no paraíso que todos pintam quando se fala deste estado norte-americano, assumiu que ter crescido sempre preocupada com as poupanças a fez aprender muito rápido que “o importante é fazer as coisas de que gostamos e não perder tempo com o que as pessoas querem que nós façamos”. 

A meio da sua adolescência, quando a fama e o sucesso apareceram, Eilish, uma criança que raramente saía de perto de casa, passou a ser a adolescente que arrasta massas. Não saiu ilesa da cisão dos mundos. Numa entrevista à revista Elle, Billie Eilish, que também sofre de síndrome de Tourette, admitiu estar bem melhor agora do que há dois anos, altura em que sofreu uma profunda depressão que a fez acreditar que não viveria até aos 17 anos – a idade que tem agora. “Estou na fase mais bonita da minha vida, e eu nem pensava que chegaria a esta idade”.

Mas é também este lado cru da artista que faz com que muitos jovens da chamada geração Z se identifiquem com a mensagem das letras das suas canções. “Tudo o que posso dizer é que, para quem não se sente bem agora, as coisas vão melhorar. Tenham esperança”. 

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