24/10/19
 
 
Luís Newton 09/10/2019
Luís Newton
Opinião

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Opções inadiáveis

Estas eleições legislativas representaram a redefinição do espectro político que irá influenciar os próximos 25 anos em Portugal.

Para melhor interpretar e avaliar os resultados, é preciso compreender as apostas que foram feitas, nomeadamente, por aqueles que representaram os mais importantes fracassos. E que não subsistam quaisquer dúvidas: as maiores derrotas foram à Direita.

O leitor atento certamente reparou que escrevi “à direita” e não “da direita”. Importa por isso dizer que, ao contrário do que alguns vieram pregar, não existiu uma derrota da Direita, mas sim uma desilusão da Direita.

Os dois partidos tradicionais entendidos como da Direita portuguesa, o PPD/PSD (de centro direita) e o CDS/PP (de direita), fizeram uma aposta clara: anunciaram que a vitória eleitoral estava no centro ideológico, onde iriam apostar para mobilizar eleitorado.

Rui Rio disse, em várias entrevistas, que a estratégia vencedora para o PPD/PSD era mobilizar e disputar o eleitorado ao centro. Que era ao centro que se ganhavam eleições e foi ainda mais longe, ao dedicar oito longos meses a procurar convencer-se a ele próprio (e a alguns militantes mais distraídos), que tudo o que fosse centro direita no partido tinha de sair, porque essa não era a visão fundacional.

Rui Rio chegou a afirmar, mais do que uma vez, que era de esquerda. Uma posição pessoal, pois o PPD/PSD nunca foi de esquerda. A sua riqueza é a sua pluralidade, que sempre foi capaz de acolher visões diversas, que vão do centro esquerda ao centro direita. É a diversidade da social democracia.

O CDS-PP também foi atrás dessa visão.

Aqui, o erro foi de quem interpretou o resultado das autárquicas em Lisboa, como um sinal para o CDS-PP se transformar num partido de centro. Não é, nunca foi e nunca será.

No dia 6 de outubro a direita ficou em casa (contribuindo assim para a elevada abstenção) e essa estratégia de apostar ao centro saiu derrotada.

E aqui também temos de salientar a diferença. Assunção Cristas fez uma aposta, que falhou, mas não virou a cara ao resultado e, com enorme dignidade, assumiu a derrota e saiu.

Importa igualmente destacar os resultados dos dois novos partidos da direita moderada: o Aliança Social Democrata progressista e a Iniciativa Liberal de pendor Social Democrata.

Estes dois partidos mostraram ao País a relevância do espaço político que ocupam, porém não alcançaram a grande mobilização desse eleitorado, que continua abstencionista e expectante.

Porém ambos têm lugar no universo Social Democrata. O Aliança, porque não veio defender nada que o PPD/PSD já não tenha defendido no passado, e a Iniciativa Liberal, com várias propostas enquadráveis num programa Social Democrata (exemplo SNS Universal), demonstrou ter muita margem para entendimentos futuros.

Para isso temos de conseguir recuperar a Aliança para o PSD, com todos os que saíram e com todos os outros que se lhes juntaram, sem juízos de valor e reconhecendo o seu espaço dentro do nosso Partido.

Por outro lado, importa reconhecer na Iniciativa Liberal e num CDS-PP reestruturado, parceiros essenciais para resgatar o País a um socialismo refém da extrema-esquerda.

É por isso que o futuro do PPD/PSD e do Centro Direita em Portugal passa pelo partido estar livre para reconhecer a sua abrangência e a sua capacidade de agregar o centro e a direita, mobilizando Portugal.

O mesmo Centro Direita que Cavaco Silva e Passos Coelho lideraram em momentos tão difíceis.

Mas para isso precisamos de uma liderança renovada e rejuvenescida, com esta visão agregadora e capital de esperança.

Uma liderança com um projeto assente na criação de riqueza, em oposição a este Governo das esquerdas, fixado na cativação da riqueza.

Uma liderança que permita trazer novos valores ao país, quadros competentes, que saibam o que é um paiol e que não confundam Tancos com o tanque da roupa.

Uma liderança com um projeto assente numa visão de desenvolvimento e apoio social, a pensar nos que trabalham, pagam os seus impostos e sobrevivem com dificuldades, em oposição a este Governo, que se desenha de novo apoiado nas esquerdas, fixado em só apoiar os que se alimentam de subsídios, colocando quem trabalha ou quem luta para o fazer, “fora de critérios”.

Uma liderança com um projeto assente numa reforma do Estado, onde os nossos impostos revertam para um serviço público de excelência, com Tribunais de Excelência, Hospitais bem equipados, Escolas bem mantidas, uma Segurança Social que não falhe a quem dela necessite, Forças de Segurança bem apetrechadas e valorizadas, Forças Armadas dignificadas e prontas para protegerem a Portugalidade.

Uma liderança com um projeto de futuro para Portugal, assente na transformação energética e na capacitação das novas gerações para o futuro digital.

Em suma, uma liderança que compreenda que os Portugueses querem um Estado que lhes permita trabalharem para atingirem, realmente, uma vida melhor e onde o “elevador social” funcione, em oposição a um Estado que continua a cativar-lhes os sonhos e as oportunidades.

Chegou, portanto, a hora de construir o futuro, chegou a hora do PPD/PSD. 
 

 

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