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Belém. Marcelo vai “fazer tudo para que haja estabilidade”

Belém. Marcelo vai “fazer tudo para que haja estabilidade”

Bruno Gonçalves Luís Claro 08/10/2019 08:30

Marcelo ouve hoje os partidos entre as 11h30 e as 20h e garante que está “empenhado” numa solução estável.

O Presidente da República recebe hoje os dez partidos políticos com assento parlamentar e promete “fazer tudo para que haja estabilidade” na próxima legislatura. Com uma longa maratona pela frente, o primeiro partido a ser ouvido pelo Chefe de Estado é o Livre, com audição marcada às 11h30, e o último, às 20h, é o Partido Socialista.

Marcelo não escondeu que tem pressa em indigitar o próximo primeiro-ministro por causa do Conselho Europeu para discutir o Brexit. “Conviria que o primeiro-ministro indigitado ouvisse os partidos, já deste Parlamento acabado de eleger, sobre os temas europeus, antes da tomada de posição no Conselho Europeu”.

O Presidente garantiu também que está “empenhado” em assegurar uma solução estável, mas preferiu não entrar em detalhes sobre a melhor forma de a conseguir. Já tinha dito, porém, que não é “essencial” haver acordos escritos.

Até ontem, ainda não houve contactos formais entre o PS e os partidos à sua esquerda, mas os socialistas alinham com o discurso de António Costa na noite eleitoral no sentido de renovar a geringonça. Augusto Santos Silva considerou que a mensagem do eleitorado foi “clara” e, por isso, o “Partido Socialista está disponível para uma renovação e alargamento da geringonça”. Ao i, Manuel Alegre, escusou entrar em detalhes sobre os contornos de um novo acordo, mas também defende que “os portugueses gostaram da geringonça” (ver texto ao lado).

Nova geringonça Dificilmente a geringonça será igual à que existiu nos últimos quatro anos. António Costa já anunciou que quer falar também com o PAN e o Livre com o objetivo de encontrar uma solução alargada.

E, aparentemente, a disponibilidade do PCP não é a mesma. Jerónimo de Sousa garantiu que “não haverá repetição da cena do papel”.

A partir daqui existem vários cenários em cima da mesa. O PS pode assinar um acordo com o Bloco de Esquerda e o Livre. Catarina Martins já se mostrou disponível, mas fez várias exigências. “A lista de reivindicações do Bloco de Esquerda é um bocado irrealista”, diz ao i um socialista. Vital Moreira, ex-deputado do PS, também defendeu que “algumas das condições que coloca são financeiramente incomportáveis”.

Outro problema que pode surgir é se o PCP não quiser uma nova geringonça, condicionando o Bloco e o próprio PS. Vital Moreira escreve, no blogue Causa Nossa, que “será difícil o PS fazer um acordo unicamente com o Bloco, deixando o PCP de fora” e decreta o fim da geringonça.

Os votos do PS somados com o Livre e o PAN não chegam para garantir a estabilidade. Os socialistas precisarão sempre de um dos partidos de esquerda (PCP ou Bloco) para governar, mas poderão optar por fazer acordos pontuais. Com este resultado, o PS precisa apenas da abstenção da esquerda.

Na noite eleitoral, António Costa teve o cuidado de não fechar a porta a nenhum destes cenários. “Se for possível [uma nova geringonça], excelente, se não, havemos de encontrar caminho”, disse o secretário-geral do PS.

SÓ PS ganhou votos A única certeza é que o PS foi o único partido que ganhou votos com a geringonça. Ganhou, antes de estarem contados os votos da emigração, 21 deputados, o que corresponde a cerca de 124 mil votos. O Bloco ficou com o mesmo número de deputados, mas perdeu cerca de 57 mil votos. E a CDU perdeu cinco deputados, o que corresponde a mais de cem mil votos.

 

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