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José Paulo do Carmo 27/09/2019
José Paulo do Carmo

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Os Jovens e a Política Global

É fundamental para que o futuro seja mais risonho que os jovens menos infetados pelos vícios e pelas teias de interesses assumam a sua quota parte na discussão pública, que se mantenham alerta para o que lhes pode dificultar o crescimento, para os temas da sustentabilidade, do clima, mas também da cultura e de uma vertente mais económica e social. 

O movimento Greta Thunberg, a sueca de 16 anos que acusou o mundo de não fazer o suficiente para combater o aquecimento global, tem sido consolidado com jovens de toda a parte, que provam que a intervenção pública e as formas de chamar a atenção não têm idade nem qualquer outro tipo de restrições. É, aliás, cada vez mais comum ver pessoas de tenra idade assumirem lutas e causas com grande desenvoltura e intencionalidade, o que acaba por trazer os holofotes atrás de si e se transforma, de certa forma, num catalisador natural para espalhar as notícias e para o interesse do que delas se acercam.

Se olharmos para o que se passa à nossa volta nos dias que correm, apercebemo-nos de que estas novas gerações aparecem cada vez mais astutas e bem preparadas, sem medo de enfrentar o que quer que seja. E batendo o pé, com aquela dose de irreverência tão característica aos mais velhos. É a globalização que faz a informação chegar de forma tão eficaz. E é o acesso plural à mesma, que invade a cabeça dos mais novos, que os torna capazes de desenvolver outro tipo de aptidões antigamente restritas dos adultos. Também o ensino, neste caso, tem contribuído para um maior conhecimento das matérias mais práticas e, no fundo, para uma integração mais rápida na realidade do que nos circunda, fazendo com que estes possam ter opiniões formadas e detalhadas sobre os mais diversos assuntos.

É fundamental para que o futuro seja mais risonho que os jovens menos infetados pelos vícios e pelas teias de interesses assumam a sua quota parte na discussão pública, que se mantenham alerta para o que lhes pode dificultar o crescimento, para os temas da sustentabilidade, do clima, mas também da cultura e de uma vertente mais económica e social. Porque, à partida, serão eles a sofrer as consequências do mal que possa estar a ser feito agora e das repercussões disso no que há de vir. Também no que toca à política e ao sistema político começam a surgir fenómenos de popularidade entre os mais novos e é necessário que isso sirva também para que estes sejam mais presentes na hora de escolher os nossos governantes e os líderes que assumem os destinos da população. Como sabemos, é na população mais jovem que existe a maior taxa de abstenção na generalidade das eleições

É por isso que devem começar a ser revistas as posições que limitam o exercício dos cargos a uma determinada idade. Porque hoje em dia existem jovens capazes de assumir e arriscar em algumas áreas que podem significar uma lufada de ar fresco. Em Portugal, teremos que dar também um passo significativo nessa matéria. Na inclusão destes nos espaços de decisão, mas sobretudo – e antes disso – na inclusão de certo tipo de temas na sua aprendizagem desde cedo. Isto para que possam estar aptos a dar a sua visão válida sobre os temas e para que a economia e a política ganhem outro tipo de conteúdos. É tempo destes se afirmarem como parte da solução e de se tornarem mais bem preparados. De reivindicarem e de gritarem bem alto ao que vêm. Porque é legítimo e porque necessitamos de boas intenções vindas daqueles que vão por causas e convicções, mais do que por este ou aquele interesse.

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