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Vítor Rainho 27/09/2019
Vítor Rainho

vitor.rainho@newsplex.pt

Se calhar o assalto a Tancos nunca existiu

Portugal é o país campeão dos palpiteiros e não há disciplina onde as pessoas não vejam a realidade de acordo com as suas preferências políticas, clubísticas ou religiosas, já para não falar nos géneros...

Nas últimas semanas tive tempo para assistir a canais desportivos estrangeiros e vi coisas verdadeiramente geniais. Um canal que transmitia em simultâneo seis jogos da Liga dos Campeões ia passando imagens do que de mais importante se ia passando em cada um dos campos. Calculo que tivessem seis realizadores atentos pois sempre que havia um golo ou uma jogada interessante logo ela ficava em destaque no ecrã. No estúdio havia comentadores que falavam desses lances, mas a cara deles quase não aparecia. Ali o que contava era o que se passava dentro do campo e os comentários não passavam por basculação, duplo pivot, entre linhas e demais pérolas dos gurus desportivos que enchem as nossas televisões.

Vem esta conversa toda a propósito do que se vive em Portugal. O Ministério Público conseguiu concluir a acusação de um processo em tempo aceitável e logo a turma que sente que a sua cor pode sair prejudicada grita que tudo não passa de uma jogada política da justiça. E não faltam ajudas a essa turma, muitas da comunicação social. Vamos a factos: o Ministério Público apanhou ou não o chefe da Casa Militar do Presidente da_República em escutas onde este falava sobre o “embuste” do assalto aos paióis de Tancos e da recuperação desse roubo? Parece que as escutas o provam de uma forma cristalina. Se este militar tivesse cumprido bem a sua missão claro que teria comunicado ao seu superior tal informação. Se não o fez, Marcelo deveria anular – pelo menos publicamente – o louvor que lhe deu quando este abandonou o cargo depois da bronca ter rebentado.

Outro facto: o ministro da Defesa, de seu nome Azeredo Lopes, também foi apanhado em sms com um deputado onde desabafava sobre o embuste do assalto e respetiva devolução do produto do mesmo. Se não comunicou a tramoia ao seu chefe é porque ainda é mais incompetente do que se imaginava. O país às voltas com um roubo de armas militares e o ministro sabia de tudo e não comunicou a António Costa, seu chefe direto? Claro que agora podemos falar que este caso só surgiu por causa das eleições, que os malandros são os jornalistas e que os atores desta novela tiveram um ataque gravíssimo de amnésia e ainda estão a ser condenados por isso.

Este país é genial.

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