27/2/20
 
 
Carlos Zorrinho 25/09/2019
Carlos Zorrinho
opiniao

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Uma campanha morna?

Em nenhumas outras eleições democráticas existiu um número tão reduzido de propostas políticas impossíveis de concretizar num quadro de equilíbrio das contas públicas.

Quanto mais turbulentos e incertos se apresentam os cenários políticos e económicos globais, maior é o valor da estabilidade para o futuro de um território, de uma região ou de um país. A estabilidade medida por indicadores como a coesão e a resiliência das instituições, a segurança, a dinâmica do tecido empresarial, a sustentabilidade do emprego ou vitalidade do tecido social, transforma-se depois, quer para quem vive no território, quer para quem o observa de fora, numa perceção definida entre em torno do caráter conjuntural ou estrutural do patamar atingido.

Para as agências internacionais de notação, para os mercados financeiros, para os investidores internacionais e também para um número muito significativo de portugueses, a estabilidade em Portugal, com todos os riscos que têm as previsões delimitadas num mundo interconectado e numa economia aberta, é uma estabilidade de médio e longo prazo e não meramente conjuntural, no pressuposto de que as políticas chave permaneçam, ou seja, que a aposta no crescimento e no emprego se fará num quadro de equilíbrio das contas públicas.

As constatações que enumerei nos dois parágrafos anteriores justificam em larga medida a razão pela qual na pré-campanha eleitoral António Costa assumiu um perfil de estadista, explicando o caminho que permitiu que Portugal recuperasse a confiança e a perceção de estabilidade sobre o seu futuro e fazendo propostas compatíveis com o prosseguir dessa trajetória, enquanto os outros candidatos, com total legitimidade, se focaram na análise do contexto e naquilo que na sua ótica deveria ser feito de forma diversa, quer motivados por uma diferente perspetiva ideológica e programática, quer escorados numa diferente abordagem dos caminhos mais eficientes e eficazes para a concretização de objetivos partilhados.

Do meu ponto de vista, o facto da preservação da estabilidade ter funcionado como uma plataforma comum à ação política da grande maioria dos protagonistas na pré-campanha eleitoral e pelo que se pode antever, também na campanha, terá um enorme benefício para o país, qualquer que venha a ser a escolha dos eleitores dia 6 de outubro.

Em nenhumas outras eleições democráticas existiu um número tão reduzido de propostas políticas impossíveis de concretizar num quadro de equilíbrio das contas públicas. O efeito que este facto tem na consolidação da perceção interna e externa de estabilidade é enorme e o contributo dado para retirar espaço aos discursos populistas e acusatórios da falta de palavra dos agentes políticos tem também um enorme valor.

Alguns analistas têm definido o intenso debate político em curso como denso, mas morno. Concordo que um pouco mais de entusiasmo e alegria não faria mal, não obstante a mudança na estrutura da comunicação política introduzida pelos novos meios de comunicação e pelas redes sociais.

No entanto, o mais importante para o presente e para o futuro é que até ao momento em que escrevo este texto, a campanha tem sido genericamente séria e isso é, a meu ver, o mais relevante para uma boa escolha e uma boa concretização do programa político pelo qual os portugueses democraticamente vierem a optar com o seu voto no dia 6 de outubro.

Eurodeputado

 

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