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Taça da Liga. O leão está fechado numa gaiola sem saída

Taça da Liga. O leão está fechado numa gaiola sem saída

AFP Afonso de Melo 25/09/2019 08:39

Se Benfica e FC Porto farão, certamente, rotações nos onzes, o Sporting não se pode dar a esse luxo. Nova derrota seria explosiva.

Inicia-se hoje a fase de grupos da Taça da Liga, essa prova meio híbrida e dificilmente interessante que, ainda por cima, entra pelo ridículo adentro como um elefante numa loja de porcelanas ao atribuir o pseudo-título de Campeão de Inverno ao vencedor da “final four” derradeira como se desta confusa competição saísse algum campeão digno desse nome, com o respeito devido ao esforço de todos aqueles que trabalharam para a vencer no passado.

A verdade é clara e insofismável. Excetuando a tal fase final que terá lugar nos finais de janeiro do ano que se aproxima, todos os treinadores aproveitam para, até lá, apresentarem jogadores pouco ou nunca utilizados. Se isto não é um desprezo completo pela tal taça que define o Campeão de Inverno, não sei o que será. Ainda por cima, precaveu-se a Liga com todo o cuidado em terraplanar o caminho dos clubes mais poderosos dando-lhes a possibilidade de receberem em casa o opositor teoricamente mais forte de cada um dos quatro grupos e fazendo-os deslocarem-se ao campo dos teoricamente mais frágeis.

Desta forma, hoje, pelas 19 horas, o Benfica joga na Luz frente ao Vitória de Guimarães, deixando para depois os problemas chamados Sporting da Covilhã e Vitória de Setúbal. E, geralmente, duas vitórias, ou seis pontos, chegam para resolver a contabilidade final. Pelo menos é isso que tem acontecido.

Ora, seria de todo inesperado, que Bruno Laje, ainda por cima envolvido numa onda de desconfiança crescente por parte dos adeptos mais inquietos, viesse a recorrer à sua equipa dita titular. Já se percebeu que vive com a preocupação de não exigir esforços suplementares a dois ou três elementos que considerará mais enfraquecidos fisicamente. E que tenta fazer renascer outros, à partida considerados dispensáveis, como é o caso de Cervi, tão surpreendentemente titular face ao Red Bull Leipzig, logo num encontro de tamanha responsabilidade e exigência. Outros estarão na calha para hoje. Ao mesmo tempo que o treinador encarnado se vê na urgência de dar ao conjunto equilíbrios que perdeu de uma época para a outra, sobretudo depois da saída dos seus dois pólos de maior talento, João Félix e Jonas, tão difíceis de substituir que a tarefa parece, para já, impossível.

A dinâmica e o buraco. O FC Porto, por seu lado, depois de um início a roçar o desastroso, retomou a rota habitual sob a direção de Sérgio Conceição. Basta assistir às últimas exibições portistas para se concluir que mora nas Antas a equipa mais dinâmica do futebol português. Tem defeitos? Sim, vários. O maior dos quais prende-se com a exigência do seu técnico que, de tanto querer que o conjunto funcione em alta-voltagem contínua, não encontrou ainda solução para os momentos em que o físico não permite que ela se mantenha. Jogar com o ritmo e a pressão com que o FC Porto entra geralmente em campo tem os seus custos, mais cedo ou mais tarde. Nas fases de mais baixa rotação, os erros sucedem-se e, às vezes, custam caro.

Segundo jogo consecutivo no espaço de quatro dias contra o mesmo adversário, o Santa Clara, presa fácil no domingo passado, não garante resultado idêntico. Mas seria complemente inesperado que os dragões, por mais voltas que Conceição dê no onze, não tirassem proveito do momento entusiasmante que vivem para garantirem nova vitória.

Só mais dois jogos nesta jornada. O Gil Vicente-Portimonense, o mais equilibrado de todos, hoje pelas 17 horas em Barcelos, e o Sporting-Rio Ave amanhã, num Estádio de Alvalade em estado de sítio. Se foi o Rio Ave que abriu às escâncaras a evidência de que o plantel leonino tem pouco de leonino, no sentido prático do adjetivo, ao vencer em Lisboa para o campeonato, a recente derrota caseira frente ao Famalicão devolveu a ebulição aos adeptos que já reclamam por um rolar de cabeças que metem treinador e presidente ao barulho.

Dos três grandes, só o Sporting não se pode dar ao luxo de mudar a equipa por completo para este confronto da Taça da Liga. E por duas razões que entram pelos olhos dentro. Não tem um grupo de jogadores com qualidade suficiente para montar duas equipas capazes de garantir a vitória; está de tal forma metido num buraco que não se pode dar ao luxo de voltar a perder sob o risco de ver ruir as bases de um projeto desportivo que Frederico Varandas diz ter em andamento. O ambiente escaldante de Alvalade tem tudo para, neste momento, funcionar ao contrário, isto é, em prejuízo da própria equipa. Pelo que estamos perante o desafio mais interessante da ronda.

 

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