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Estados Unidos. Os motivos para afastarem Trump

Estados Unidos. Os motivos para afastarem Trump

AFP João Campos Rodrigues 24/09/2019 20:16

Ainda Donald Trump não tinha tomado posse como Presidente dos EUA e já se falava em impeachment. Primeiro foi a alegada conspiração com a Rússia, depois conflitos de interesses e acusações de apoio a supremacistas brancos. Agora, é notícia que terá pressionado a Ucrânia a investigar o filho de um potencial candidato presidencial. Trump é acusado de incentivar a intervenção estrangeira em eleições e cada vez mais democratas ponderam derrubá-lo.

Império Trump

Mal Trump foi eleito, ficou por resolver o que fazer com seu império milionário. – que teve receitas de 886 milhões de dólares nos primeiros dois anos do seu mandato. Muitos exigiram que o Presidente colocasse o seu império sobre a alçada de um fundo cego, ou seja administrado independentemente, de modo a evitar conflito de interesses. “Os americanos merecem saber que o seu Presidente trabalha para fazer o melhor para o país – não para si e para os seus negócios”, afirmou a senadora democrata Elizabeth Warren, que face à recusa do Presidente de usar um fundo cego quis transformar o conflito de interesses numa ofensa punível com impeachment – algo que acabou chumbado no Congresso. Entretanto, várias ONG dedicadas à transparência do Estado apontam para centenas de casos de conflito de interesses de Trump e da sua administração, que por exemplo, em diversas ocasiões, ficaram hospedados em hotéis Trump em visitas oficiais. Segundo o Guardian, os hotéis do Presidente por todos os Estados Unidos tornaram-se num ponto de atração de lobistas, à procura de influência junto de Trump. “Os negócios do Presidente parecem demasiado dispostos a enviar a mensagem que a presidência está à venda”, acusou o congressista Elijah Cummings.

Ucrânia

Após o Wall Street Journal avançar que Trump terá pressionado oito vezes o Presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, para que investigasse filho de Joe Biden por corrupção, numa chamada a 25 de julho, Trump acabou por admitir ter mencionado a família Biden - mas apenas como exemplo. “Não queremos que pessoas como o vice-Presidente Biden e o seu filho, aumentem a corrupção que já existe na Ucrânia”, referindo-se à contratação de Hunter Biden por uma empresa ucraniana. Já o congressista democrata Jim Himes assegurou à CNN: “Extorquir um líder estrangeiro, com o propósito que esse líder faça trabalho político, que tente encontrar os podres do seu opositor, é extorsão”. Sobre uma possível remoção do Presidente do seu cargo, Himes deixou a nota: “Não lhe posso dizer que a Casa dos Deputados vai entrar em modo de impeachment imediatamente. Mas isto aumentou muito a fasquia”. Entretanto, Trump recusou mostrar a transcrição da chamada - justificando-o com o direito à privacidade de Zelensky - e até vários republicanos se mostram preocupados com o assunto. “É fundamental que os factos venham à luz do dia”, apelou o republicano Mitt Romney.

Rússia

Durante anos, quem desejava o impeachment de Donald Trump esperou pela investigação do conselheiro especial Robert Müller à alegada interferência russa nas eleições de 2016 - que terminou de forma inconclusiva em julho. Estava em questão os alertas das secretas quanto a propaganda russa online contra a principal adversária de Trump, Hillary Clinton - suspeitando-se que agentes russos tenham participado no ataque informático que revelou uma série de emails comprometedores da candidata. Entretanto, a revelação de uma série de encontros suspeitos entre alegados representantes do Kremlin e dirigentes da campanha de Trump - incluindo o seu filho, Donald Jr., e o seu cunhado, Jared Kushner - levaram a uma série de demissões. O primeiro foi o diretor de campanha de Trump, Paul Manafort, que se demitiu após o New York Times revelar que terá recebido de forma ilegal 12,7 milhões de dólares - mais de 11,5 milhões de euros - de um empresário ucraniano ligado à Rússia. Depois foi a vez do então conselheiro de Segurança Nacional, Michael Flynn, que durante a campanha terá discutido as sanções norte-americanas à Rússia, com o embaixador russo Sergey Kislyak, segundo avançou o Washington Post.

Supremacia Branca

Após militantes de extrema-direita de todo o país se reunirem para um protesto mortífero em Charlottesville, em 2017, onde foram confrontados por antifascistas, Donald Trump disse que estavam “pessoas muito boas de ambos os lados”. Os comentários foram relativos a um protesto - onde símbolos confederados e neo-nazis foram lugar comum - e que resultou no assassinato de Heather Heyer, uma manifestante atropelada por um auto-proclamado supremacista branco. Trump assegurou que quando falava em “pessoas boas” não se referia a neonazis, mas os seus comentários levaram uma série de congressistas democratas a propor o seu impeachment. “Tentei acreditar que víssemos um Trump mais presidencial. Mas sinto-me intimidada, como afro-americana”, explicou à CBS uma das proponentes da moção, Gwen Moore, acrescentando: “Sinto-me intimidada por um Presidente que não consegue criticar um movimento nazi no nosso país, estes terroristas domésticos”. A moção foi derrotada, com pouco apoio até entre democratas. Contudo, entretanto, Trump exigiu a quatro congressistas não-brancas que “voltassem” para a sua terra - algo que levou a mais pedidos de impeachment.

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