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Emmys. A noite de Phoebe Waller- Bridge, a nova rainha da comédia

Emmys. A noite de Phoebe Waller- Bridge, a nova rainha da comédia

DR Jornal i 23/09/2019 15:53

A 71º. edição dos Emmys foi a ponte de que Phoebe precisava para chegar aos ouvidos do público mais distraído. A britânica concorria, como atriz e autora, com duas séries e foi a vencedora da noite.

Na entrega dos Emmys – os prémios da indústria televisiva norte-americana –, um nome destacou-se acima de todos os outros: Phoebe Waller-Bridge. Aos 34 anos, a autora e atriz britânica conseguiu até a proeza de ter as suas duas produções nomeadas na categoria de Melhor Série Dramática e de Melhor Série de Comédia: falamos, respetivamente, de Killing Eve (que também já tinha sido distinguida nos últimos Globos de Ouro) e ainda da série mais falada do momento – Fleabag. A produção, que tinha sido nomeada em 11 categorias, saiu pela porta grande da última edição dos Emmys. Assim, claro, como a sua autora que, pela força dos prémios agora conquistados, está debaixo dos holofotes mediáticos a nível mundial.

Very british Ao contrário da sua personagem em Fleabag, Phoebe Waller-Bridge tem um passado conservador. A atriz nasceu em Londres, no dia 14 de julho de 1981, e cresceu em Ealing, um bairro na zona oeste da cidade. Estudou num colégio católico durante toda a sua infância e, no secundário, mudou-se para outro colégio privado – a sua educação foi reflexo das escolhas dos seus pais, que nasceram no seio de famílias da classe alta britânica. Quando entrou na faculdade – o Trinity College, claro está – para estudar Inglês, acabou por não se matricular e tomar uma decisão que viria a mudar o rumo da sua vida: estudar representação na Royal Academy of Dramatic Art – uma das melhores escolas de artes dramáticas do mundo.

Em 2009, Waller-Bridge estreou-se como atriz na peça de teatro Roaring Trade. Nesse ano, participou ainda numa curta-metragem e num episódio da série Doctors. Ainda em início de carreira, decidiu fazer uma audição para uma das mais conhecidas séries britânicas, Downton Abbey, para o papel de uma das irmãs da família principal: os Crawley. Segundo o Times, o diretor do casting riu-se tanto durante a audição que – citando Phoebe – “fez xixi pelas pernas abaixo” . Na mesma entrevista, a atriz concluiu, fazendo jus à sua personalidade, que teve demasiada “graça” e que, por esse motivo, não foi escolhida.

Durante os quatro anos seguintes, apareceu esporadicamente em episódios de várias séries até que, em 2013, criou Fleabag – na altura, pensado como um espetáculo de stand up de dez minutos. O espetáculo foi apresentado no Fringe, conceituado festival de stand up comedy que se realiza todos os anos em Edimburgo. Três anos depois, a BBC pegou no projeto e transformou-o em série. Em Fleabag, Phoebe é uma mulher londrina de 30 anos que perdeu a mãe e a irmã e que tenta sobreviver aos dramas que assolam a sua vida diária, como a relação com a madrasta odiável interpretada por Olivia Colman, ou os vários encontros amorosos que acabam por nunca resultar. A série em que Phoebe Waller-Bridge mostra ao mundo que as mulheres conseguem escrever e interpretar humor está disponível na plataforma Amazon Prime Video e foi, sem dúvida, a grande vencedora da noite. Fleabag destacou-se como comédia e saiu com as mãos cheias de prémios da edição deste ano, entre os quais o de Melhor Série, Melhor Atriz, Melhor Direção e Melhor Argumento.

Apesar do sucesso, esta será uma noite irrepetível. Fleabag não voltará para uma terceira temporada, garante a atriz, e o espetáculo “morreu” em Nova Iorque, onde durante seis semanas esgotou diariamente. A britânica diz agora que o seu próximo sonho é escrever e realizar um filme e, neste capítulo, já há novidades ao virar da esquina. Daniel Craig, o ator que interpreta o agente mais famoso do mundo, sugeriu que a atriz e escritora fizesse parte da equipa de produtores do 25.º filme da saga Bond, na tentativa de adicionar humor ao guião e levar o olhar de uma mulher a um universo tradicionalmente masculino – isto depois de os filmes terem recebido muitas críticas do movimento #metoo. E já no próximo mês, Waller-Bridge apresentará o Saturday Night Live, oportunidade dada apenas aos mais conhecidos atores, músicos e comediantes.

Noite de surpresas Fleabag, foi, aliás, uma das grandes surpresas da 71.º edição dos prémios. A começar pela própria cerimónia, que este ano não teve apresentador nem orquestra. Há 16 anos que tal não acontecia e a decisão da organização – que tenta recuperar as audiências perdidas nos últimos anos – não foi consensual entre público.

Escolhas à parte, a principal “guerra” da noite foi mesmo entre os dois gigantes do streaming: a Netflix (com 117 nomeações) e a HBO (com 137 nomeações). O número de nomeações reflete o poder destas duas plataformas, que nos mudaram a forma se produz e se vê televisão. A HBO sagrou-se vencedora do duelo, arrecadando 34 Emmys.

Game of Thrones, que apesar da noite fria é ainda a série mais premiada de sempre, concorreu com 32 nomeações em 26 categorias. Levou apenas dois troféus para casa, entre os quais o mais ‘importante’ da noite: o de Melhor Série Dramática. Peter Dinklage também venceu o troféu de Melhor Ator Secundário de Série Dramática. Ao fim de oito temporadas de uma das séries mais comentadas de sempre, o elenco reuniu-se pela última vez numa despedida emotiva em palco.

O prémio de Melhor Minissérie foi para Chernobyl (HBO), cujos cinco episódios contam a história do acidente nuclear de 1986 e as respetivas repercussões para o planeta. Já The Marvelous Mrs. Maisel, que acompanha o quotidiano de uma dona de casa de 1958 que vive em Nova Iorque e que descobre que tem um talento especial para o stand-up comedy, venceu os prémios de Melhor Atriz (Alex Borstein) e Ator Secundário (Tony Shalhoub).

Nem só de prémios se fez a madrugada de segunda-feira. Billy Porter foi o primeiro homossexual assumido a vencer na categoria de Melhor Ator de Série Dramática, pelo desempenho em Pose. “Eu tenho o direito de estar aqui, vocês também, todos temos o direito de estar aqui”, afirmou no discurso de vitória. A atriz Patricia Arquette, que ganhou o Emmy de Melhor Atriz Secundária num telefilme (The Act) aproveitou o momento para relembrar a irmã, Alexis Arquette, uma das mais famosas atrizes transgénero que morreu em 2016. “Deem-lhes trabalho, são seres humanos”.

Na cerimónia, em que desta vez não se falou em Donald Trump, saltaram para o palco temas como o racismo, a diferença salarial entre homens e mulheres e a xenofobia da indústria. Um dos discursos mais emotivos da noite foi o da atriz Michelle Williams, vencedora do prémio de Melhor Atriz de uma Minissérie, em Fosse/Verdon, onde se mostrou agradecida ao canal FX por ter recebido o mesmo que os outros atores homens.

 

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