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Duelo entre Rio e Costa animou PSD para tentar mobilizar eleitorado

Duelo entre Rio e Costa animou PSD para tentar mobilizar eleitorado

AFP Cristina Rita 18/09/2019 15:20

Politólogos avaliam debate. José Adelino Maltez até dá ligeira vantagem a líder ‘laranja’ porque primeiro-ministro “abdicou de ser agressivo”.

O debate entre o primeiro-ministro e o presidente do PSD, Rui Rio, teve 2,7 milhões de telespetadores, em canal aberto na RTP, TVI e SIC, abaixo dos 3,3 milhões de há quatro anos entre Passos Coelho e António Costa: menos cerca de 600 mil.

Porém, o registo foi cordial, educado, sem agressividade artificial. No final dos mais de 60 minutos de confronto, os sociais-democratas desdobraram-se em comentários nas redes sociais a reclamar vitória. Entre os críticos internos a Rio houve elogios e o autarca de Cascais Carlos Carreiras, um dos contestatários, destacou a prestação televisiva para travar a maioria absoluta do PS. Ou seja, o PSD parece ter ganho novo fôlego.

A politóloga Conceição Pequito prefere não falar em vencedores e vencidos neste duelo. A discussão era mais importante para Rio, ainda que os dois tivessem objetivos diferentes.

“Era sem dúvida um debate bastante mais importante para Rui Rio do que para António Costa. Acho que [Rui Rio] cumpriu, quer em termos de expectativas, quer em termos dos objetivos que lhe interessava alcançar”, avalia a politóloga, assinalando a necessidade de “mobilização do seu espaço político tradicional”. Do lado de António Costa, o primeiro-ministro apresentou-se com uma postura defensiva “porque ainda há muito jogo a jogar”. O eleitorado é flutuante, leia-se os indecisos, que podem ser determinantes para a maioria absoluta, o objetivo inconfessado dos socialistas. Ambos tinham objetivos diferentes mas conseguiram ter um bom desempenho, a começar no registo cordial e de “simpatia pessoal”.

À pergunta se o debate foi esclarecedor, Conceição Pequito considera que sim, sobretudo numa ótica de balanço e retrospetiva da legislatura que agora termina. Rio foi “eficaz” e tentou “desconstruir o discurso” do Governo, indicador a indicador, daquilo que são as contas certas do Executivo, o ponto forte do PS”. Para o efeito, lembrou os níveis de crescimento económico para 2019 (estimativas de crescimento do PIB a 1,7% quando em 2015 foi de 1,82%), além de uma conjuntura internacional mais favorável na atual legislatura. Aí, Rio usou a expressão “oportunidade perdida”, aliada ao facto de não se ter feito, segundo o PSD, qualquer reforma estrutural. No debate faltaram propostas para o futuro de ambos os lados e ideias sobre a corrupção, uma das maiores preocupações das pessoas, apontou Conceição Pequito, tal como na área laboral. “Aí, Catarina Martins (coordenadora do BE) tem razão”, concluiu a politóloga.

Já José Adelino Maltez considera que ambos tiverem prestações constantes nos debates. “Cumpriram plenamente a cartilha. Rui Rio teve uma prestação constante em todos os debates . Já estava tudo na cartilha. António Costa fez a mesma coisa (...) eles são muito próximos um do outro”, começou por explicar o politólogo ao i.

Para Adelino Maltez “a única coisa que não foi extremamente previsível foi que António Costa tem um estilo muito suave, muito elegante, mas na última parte carrega com ataques fulminantes que deixam o adversário sem resposta. Ontem [segunda-feira] abdicou de mandar uma farpa”. Ou seja, o primeiro-ministro “abdicou de ser agressivo”, o que na prática se traduziu num “ empate consentido”. José Adelino Maltez acrescenta, contudo, que Rio “não foi esmagado, teve uma prestação dentro do previsível” e que, por isso, se poderia dizer que foram “ 51% para Rui Rio e 49% para Costa”.

A fase de duelos televisivos terminou na segunda-feira, mas hoje haverá um debate com todas as forças políticas com assento parlamentar transmitido pela Antena 1/TSF e Rádio Renascença. E no próximo dia 23 há um novo round entre Costa e Rio a transmitir pelas rádios. As expectativas aumentaram para o líder do PSD.

 

 

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