23/10/19
 
 
José Cabrita Saraiva 17/09/2019
José Cabrita Saraiva
Opiniao

jose.c.saraiva@newsplex.pt

Como é que a direita chegou a este ponto?

Antes de se apontar o dedo a este ou àquele, há que reconhecer que António Costa é o principal artífice deste descalabro.

Com todas as sondagens a apontarem para um cenário do PS a um passo da maioria absoluta, parece inevitável perguntar o que aconteceu à direita, que se arrisca a ser atropelada a 6 de outubro. Segundo o estudo da Eurosondagem publicado na última edição do SOL, juntos o PSD e o CDS não chegam aos 30% – espera-se que os sociais-democratas tenham, de longe, o pior resultado de sempre em legislativas e o CDS, segundo as previsões, perderá mais de metade do seu grupo parlamentar. Como é que a direita atingiu este patamar de quase irrelevância?

Antes de se apontar o dedo a este ou àquele, há que reconhecer que António Costa é o principal artífice deste descalabro. Em primeiro lugar porque governou de forma responsável. Ao manter o equilíbrio das contas públicas, retirou à direita um dos seus principais argumentos, o de que um Governo de esquerda seria ruinoso para o país e levaria à bancarrota. Por outro lado, Costa manobrou com grande perícia em águas perigosas como o descongelamento das carreiras dos professores, em que pôs o CDS e o PSD a darem o dito por não dito e a assumirem que não era possível fazer diferente do que fez o Governo. Ou seja, que não há alternativa.

Depois, se a direita já estava frágil, as dissidências da Aliança, da Iniciativa Liberal e do Chega contribuíram para a esfrangalhar ainda mais. E, finalmente, há outro dado a favor de Costa: os portugueses são conservadores, não gostam de arriscar, e como tal preferem votar numa solução que já conhecem.

Dito isto, mesmo antes das eleições já é muito claro que a esquerda tem o monopólio político. A condenação do dito Museu Salazar no Parlamento é um bom exemplo disso. A proposta partiu do PCP e recolheu os votos favoráveis do PS e do Bloco. A direita, amedrontada e porventura com receio de ser acusada de fascista, absteve-se.

Ora, é preciso esclarecer que o Museu Salazar não é nem tem de ser uma iniciativa promovida por simpatizantes de Salazar. Devia ser, isso sim, um exemplo de cidadania e de uma democracia madura. Mas não. A esquerda votou em peso e a direita... demitiu-se. O que assusta neste episódio não é apenas o desaparecimento da direita: é o triunfo do pensamento único – e a constatação de que são cada vez menos os que têm força ou coragem para o contrariar. Se agora já é assim, como será depois do desastre anunciado das legislativas?

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