14/10/19
 
 
Marta F. Reis 16/09/2019
Marta F. Reis
Sociedade

marta.reis@newsplex.pt

Regresso às aulas, o bom e o mau do costume

Como todos os anos, nunca parece estar tudo acautelado a tempo quando haverá poucas coisas que sejam tão previsíveis na vida do país como o regresso às aulas em setembro. 

Recomeça a escola. Depois de anos em que o paradigma foi as famílias gastarem centenas de euros com livros que, no final, iam para o lixo ou para a arrecadação, alargaram-se os manuais gratuitos até ao 12.o ano. O programa pode ser afinado, é preciso uma consciencialização de todos para que os livros cheguem ao final do ano em condições de serem usados, os manuais ainda não estão adaptados, tudo isso é verdade, mas é um caminho que começa a ser feito e que é em si mesmo um instrumento para incutir nos mais novos um sentido de comunidade e partilha, havendo planeamento para que não sejam as livrarias a suportar o encargo de uma medida pública que fica como uma das marcas positivas da legislatura na educação. De resto, os problemas persistem. Como todos os anos, nunca parece estar tudo acautelado a tempo quando haverá poucas coisas que sejam tão previsíveis na vida do país como o regresso às aulas em setembro. Há escolas que não puderam abrir em condições por causa de obras, crianças e funcionários que vão continuar privados de um espaço condigno, a ter aulas em contentores ou pouco recreio. Chega o início do ano letivo e faltam assistentes operacionais. Numa escola de Lisboa, soube-se na semana passada, não vai haver já Educação Física porque faltam funcionários para abrir o pavilhão desportivo. Há escolas esta segunda-feira em greve pelo mesmo motivo. Crianças e pais ficam até à última sem saber se o primeiro dia de aulas a sério é mesmo o primeiro dia. Quem tem os filhos em ATL e os pode pagar tem solução, quem não tem vai gerindo. Vai pedir-se brio aos alunos com um arranque assim? Nota final para a “corrida” ao material escolar, alimentada pelas promoções das grandes superfícies, pelos bonecos da moda, um apelo total ao consumismo. Algumas escolas já têm uma gestão comunitária do material de disciplinas como Educação Visual. As famílias contribuem, mas há mais equidade e menos desperdício. Devia ser a regra. Também para aí será necessário caminhar. 

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