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Arábia Saudita. Ataque leva a nova troca de acusações entre EUA e Irão

Arábia Saudita. Ataque leva a nova troca de acusações entre EUA e Irão

AFP Jornal i 15/09/2019 20:53

EUA acusam o Irão pelo ataque às instalações petrolíferas. Teerão nega e acusa Washington de “mentir”. 

 

Um ataque de dez drones realizado por um grupo de rebeldes xiitas houthi do Iémen, apoiados pelo regime iraniano, na madrugada de sábado, a duas instalações petrolíferas na Arábia de Saudita está criar tensão no Médio Oriente e arrisca desestabilizar o fornecimento de petróleo a nível mundial. E começou uma nova troca de acusações entre os Estados Unidos e o Irão. 

 As instalações petrolíferas em Abqaiq e Khurais (onde estão 20 mil milhões de barris de petróleo), onde foi realizado o ataque, são descritas como o maior centro de processamento de petróleo crude do mundo. Segundo disse uma fonte anónima saudita à Reuters no sábado à noite, o ataque reduziu a produção de petróleo para 5,7 milhões de barris por dia, metade da produção petrolífera do reino e o equivalente a 5% da produção mundial.

“Abqaiq é o coração do sistema; acabou de ter um ataque do coração”, avisou Roger Diwan, consultor petrolífero da IHS Markit, ao Guardian, acrescentando: “Não sabemos o [o grau de] severidade”. 

O ataque provocou imediata tensão no Golfo Pérsico entre os EUA e o Irão. Washington responsabilizou Teerão pelo sucedido, defendendo não haver provas de que o ataque foi lançado pelos houthi. “[O Irão] lançou um ataque sem precedentes”, acusou o secretário de Estado norte-americano, Mike Pompeo, pelo Twitter. “Apelamos a todas as nações para denunciarem, publicamente e inequivocamente, os ataques do Irão”, disse, noutro tweet.

O Presidente dos EUA, Donald Trump, condenou o ataque através dum telefonema, no sábado, ao príncipe herdeiro saudita, Mohammed bin-Salman, e ofereceu o apoio norte-americano. “[Os EUA] continuam comprometidos em garantir que os mercados globais de petróleo continuem estáveis e bem abastecidos”, lê-se no comunicado da Casa Branca.

“O reino está disposto e capaz de enfrentar e de lidar com essa agressão terrorista”, terá garantido o príncipe herdeiro saudita ao chefe da Casa Branca, na ligação entre os dois, de acordo com a Saudi Press Agency.

“Tendo falhado na [política de] ‘pressão máxima’, o secretário de Estado, [Mike Pompeo] está a voltar-se para a [política da] ‘mentira máxima ’”, atirou o ministro dos Negócios Estrangeiros iraniano, Mohammad Javad Zarif, na rede social Twitter. 

Não se sabe de onde foram lançados os drones. Abqaiq fica a 800 quilómetros do território iemenita. Segundo uma investigação das Nações Unidas, os houthis adquiriram drones com um alcance de 1500 quilómetros. Os sauditas e os norte-americanos suspeitam que o Irão enviou técnicos para treinar os rebeldes na tecnologia de drones e mísseis, segundo o New York Times

Embora Riade tenha uma das maiores despesas militares do mundo, o ataque mostrou a fragilidade dos sauditas perante os houthis .Os drones terão custado cerca de 15 mil dólares, tendo conseguido atingir o coração da economia do reino saudita. “Os ataques ilustram como as táticas David e Golias, usando drones baratos, adicionam uma nova camada de volatilidade no Médio Oriente”, escreveu o New York Times

A investida houthi surgiu numa altura frágil para a petrolífera saudita. A Aramco prepara-se para aquilo que poderá ser a maior oferta pública do mundo, colocando-se na bolsa de valores - a petrolífera é a empresa mais lucrativa do planeta.  

A Agência Internacional de Energia asseverou estar a “monitorizar de perto a situação na Arábia Saudita”, garantindo que, “por enquanto, os mercados estão bem abastecidos” de oferta de petróleo. O preço mantém-se estável até ao momento, por volta do 60 dólares o barril.

A guerra civil no Iémen iniciou-se em 2015 e já matou cerca de 100 mil pessoas, de acordo com as estimativas das Nações Unidas.

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