4/4/20
 
 
Aeroporto do Montijo. EIA com falhas sobre os riscos de subida do mar

Aeroporto do Montijo. EIA com falhas sobre os riscos de subida do mar

DR Daniela Soares Ferreira 15/09/2019 17:18

Garantia foi dada ao i pelo especialista Carlos Antunes, que refere que, em situações extremas, parte da pista pode ficar inundada.

O Estudo de Impacte Ambiental (EIA) ao Aeroporto do Montijo tem algumas falhas no que diz respeito ao nível da subida do mar, que podem ter graves impactos neste projeto. O alerta é feito por Carlos Antunes, investigador do Departamento de Engenharia Geográfica, Geofísica e Energia da Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa, que garante os cálculos feitos pelos técnicos que elaboraram o estudo para a ANA Aeroportos dão um erro de aproximadamente 57 centímetros na altura da pista. “Subestimaram o risco de maré máxima para a zona do Montijo”, explicou ao i o Carlos Antunes.

O especialista explica que os efeitos não seriam imediatos, uma vez que, cruzando a preia-mar de marés vivas equinociais com a subida do nível médio do mar e ainda o aumento do caudal do rio Tejo, o EIA refere uma possível inundação máxima de 3,42 metros em 2070. “Claro que esses cenários, tal como calculam no EIA, são cenários extremos e podem ocorrer com períodos de 50, 100 anos”, explica. Mas, caso aconteça, “pode implicar a inutilização da pista durante algum período”. O especialista salienta  que “não é uma situação recorrente ou frequente em que todos os meses a pista fique inundada. É uma inundação extrema, um cenário extremo que normalmente é feito nestas análises de risco que calcula sempre os cenários de pior caso”.

E é neste cenário de pior caso, que o EIA subestima duas coisas, na visão de Carlos Antunes, noticiada pelo Expresso: “uma delas foi terem errado no cálculo”, que garante ser difícil perceber por alguém leigo no assunto. “Somando as parcelas consideradas não dá os 3,42 metros de quota máxima de maré mas dá 3,99 metros”, explica ao i. A este erro junta-se a omissão de cenários mais gravosos de subida do nível médio do mar. “A quota de cinco metros para a zona sul da pista está subestimada e portanto, poderá haver surpresas até ao período de final de concessão [2062] de o nível do mar poder causar surpresas de inundação”, explica.

Mas estas não são as únicas falhas que o especialista – que considera que estes pontos deviam ser revistos – encontrou no EIA uma vez que, apesar de estarem identificados os riscos de sismos e tsunamis, ficam a faltar outros problemas relacionados com as alterações climáticas: “Apesar de terem identificado a chamada suscetibilidade do risco sísmico e o risco de tsunami, não fazem a análise de risco dessas suscetibilidades e não contemplam as chamadas sínteses de impactos”, garante. O especialista refere que há já vários estudos sobre a conjugação destes dois riscos.  

Carlos Antunes defende assim que o EIA não cumpre a lei ao não ter sido contemplado o decreto de lei 152-B/2017, que obriga a que os estudos de impacte ambiental avaliem o impacto de alteração climática sobre o projeto e o impacto do projeto nas alterações climáticas. “A lei obriga a que o cruzamento destes riscos sejam analisado. Não o fizeram”, afirma.

O EIA do novo aeroporto está em consulta pública até esta quinta-feira.

Ler Mais

Iniciar Sessão
Esqueceu-se da sua password?

×
×

Subscreva a Newsletter do i

×

Pesquise no i

×