19/9/19
 
 
José Paulo do Carmo 13/09/2019
José Paulo do Carmo

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Aquele JNcQUOI…

Gosto de comparar este JNcQUOI Ásia com o Gigi no Algarve – um paradoxo que nos explica o que comecei inicialmente por dizer. Não existem caminhos iguais para o sucesso nem fórmulas predefinidas. 

O nome remete-nos para aquilo que os franceses dizem quando querem caracterizar algo que é inexplicável , que de tão bom e tão especial se torna enigmático. Significa que há ali qualquer coisa que o distingue, mas não dá para perceber bem o quê. No fundo, o que os donos dos novos espaços de restauração da Avenida da Liberdade sabiam muito bem que estavam a fazer e não tiveram medo nem vergonha de posicionar os seus espaços naquele patamar dos poucos que fazem realmente a diferença. E a diferença na restauração não tem só um caminho, não se cinge pelas mesmas opções nem tem só uma forma de se atingir. É, por isso, uma área tão especial e ao mesmo tempo tão difícil, onde muitos se aventuram e poucos, na realidade, se safam à séria.

Pois bem, o primeiro JNcQUOI abriu, se a memória não me falha, no primeiro semestre de 2017, e logo vieram as vozes do costume agoirar o seu sucesso. Primeiro diziam que Lisboa não estava preparada para um restaurante deste patamar, que era muito caro e rapidamente iria soçobrar, que não tinha hipótese nenhuma. Depois, ao verem o seu sucesso, rapidamente mudaram a agulha e a tónica começou a ser que a proprietária, Paula Amorim, era a mulher mais rica de Portugal e que “assim também eu”, ignorando por completo a planificação que ali foi feita e a experiência do seu marido Miguel Guedes de Sousa em alguns espaços de renome internacional, nomeadamente o Hotel Amanjena, em Marrocos.

A verdade é que o espaço foi-se consolidando pela qualidade e inovação e, mesmo com um ou outro apontamento menos feliz (a solução da cabina de DJ nas casas de banho não me parece ter resultado), cedo se tornou um ex-líbris da capital portuguesa. Agora, com a abertura do Ásia, parece que o conceito foi refinado, surpreendendo-nos pelos detalhes. Ali entrando, parece que estamos noutro país, numa outra cidade. Gente bem diferente, cosmopolita e com vontade de se divertir, ótima comida e bons cocktails, empregados supersimpáticos e prestáveis e um jardim interior que lhe dá o complemento perfeito. De facto, a sofisticação demonstrada desde a escadaria leva-nos para outras paragens e absorve-nos, permitindo esquecer por vezes os problemas do dia-a-dia. É o resultado prático do que é ser-se vivido, viajar pelo mundo, captar boas influências e desenvolver uma ideia própria.

Gosto de comparar este JNcQUOI Ásia com o Gigi no Algarve – um paradoxo que nos explica o que comecei inicialmente por dizer. Não existem caminhos iguais para o sucesso nem fórmulas predefinidas. Sendo alicerçados numa política de maior distanciamento ou de um carisma inigualável, o que une dois espaços tão diferentes é a ideia de receber bem, da qualidade dos produtos e da diferenciação através da essência de cada projeto. Cada um especial à sua maneira e que, se formos a ver bem, atrai o mesmo tipo de público. Sobretudo estrangeiros, de bem com a vida, que gostam de se divertir e que apreciam o bom gosto. Numa célebre publicidade dos anos 90 às pizas, dois irmãos cozinheiros discutiam a importância dos ingredientes. Um dizia que Marco Bellini lhe havia dito que o importante era a massa, e o outro o recheio, e quando decidem confrontar a mãe, ela responde: “Marco Bellini diz que é tutto”. É o caso destes espaços. Não são bons por isto ou por aquilo, é o conjunto. É tudo.

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