19/9/19
 
 
António Luís Marinho 13/09/2019
António Luís Marinho
cronista

opiniao@newsplex.pt

O bloco social-democrata

A afirmação de Catarina Martins sobre o programa do Bloco de Esquerda, definindo-o como social-democrata, não deve causar surpresa.

“Dessa traição aos interesses cardeais do proletariado e da renúncia aos postulados revolucionários do marxismo, nasceu a corrente social-democrata contemporânea”

Marx/Engels

 

Nos finais do séc. xix, os correligionários de Ferdinand Lassalle, reunidos na Associação Geral dos Operários Alemães, defenderam a transição para o socialismo sem revolução, a partir da reforma do sistema capitalista, tornando-o mais igualitário. Opunham-se, desta forma, ao marxismo.

Optando por uma via reformista, os sociais-democratas defendiam que, através da via partidária, era possível alterar o sistema capitalista até à implantação do socialismo. Criticavam duramente o comunismo, que consideravam uma forma autoritária de socialismo.

A social-democracia é originariamente uma ideologia de esquerda, defende o papel do Estado na promoção da justiça social, isto é, o Estado de bem-estar social, conjugando elementos do socialismo e do capitalismo, num regime de democracia representativa.

O conceito foi sendo modificado e chega aos nossos dias com uma configuração ideológica algo difusa, resultante dos compromissos e alianças ensaiadas ao longo dos anos por partidos sociais-democratas, que ora se aliaram a socialistas democráticos, ora se coligaram com partidos liberais, inaugurando a denominada “terceira via”, mas agravando ao mesmo tempo a crise de identidade com que se defrontam atualmente.

Regressando a Portugal, o que é hoje ideologicamente o PSD? Da mesma forma, acreditar que o PS é socialista só pode fazer-nos sorrir.

É assim que a afirmação de Catarina Martins sobre o programa do Bloco de Esquerda, definindo-o como social-democrata, não deve causar surpresa, embora possa atirar por terra algumas esperanças numa ideologia mais radical.

É verdade que esta definição ideológica por parte da principal dirigente do Bloco é uma novidade, mas também é verdade que nunca os bloquistas estiveram tão perto do poder como agora.

Deste modo, o BE entrou com toda a determinação na luta pela conquista do centro-esquerda, tentando evitar a maioria absoluta do PS.

No programa do BE, lá estão as nacionalizações dos setores vitais da economia, a regulação económica e a distribuição mais equitativa da riqueza, sem nunca pôr em causa o sistema capitalista e a democracia representativa.

Querem mais social-democracia do que isto?

Finalmente, o Bloco parece ter encontrado a sua ideologia.

 

Jornalista

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