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Alojamento universitário. saiba como evitar verdadeiras dores de cabeça

Alojamento universitário. saiba como evitar verdadeiras dores de cabeça

Dreamstime Sónia Peres Pinto 12/09/2019 22:46

Os preços tanto das casas como dos quartos têm vindo a disparar em Portugal e o mercado destinado aos estudantes universitários não fica alheio a esta tendência. Selecionar as opções mais interessantes e calcular o valor das despesas e dos gastos em transportes são alguns dos aspetos que deve ter em conta no momento da escolha e podem fazer toda a diferença no momento da decisão. Para evitar desagradáveis surpresas e para não ter dores de cabeça, siga este roteiro.

Onde encontrar alojamento? 
Depois da entrada na universidade, a preocupação seguinte é encontrar alojamento. Claro que só se aplica a quem vai estudar para fora da sua cidade. A primeira tarefa a fazer é avaliar a sua disponibilidade financeira, ou seja, identificar qual o valor máximo que tem disponível para gastar. Ao mesmo tempo, identifique o nível de privacidade que procura e analise as despesas que estão incluídas. Por fim, mas não menos importante, a acessibilidade – ou seja, quanto tempo vai demorar em deslocações entre casa e a faculdade. Não se esqueça que desde o ano letivo passado passou a ser possível deduzir as rendas pagas pelos estudantes deslocados na categoria “despesas de educação”.


A Residência universitária é uma opção viável?
O alojamento numa residência universitária é uma alternativa, mas nem sempre é possível encontrar vaga e, muitas vezes, esta solução nem é a mais económica. Depois de apresentar a candidatura nos Serviços de Ação Social, o acesso e o valor dependem dos rendimentos declarados pelo agregado familiar. Feitas as contas à elevada procura e à reduzida oferta, as residências acabam por ter apenas vagas para 9% dos alunos. A explicação é simples: a maioria das instituições acabam por só conseguir dar resposta a bolseiros e a estudantes de intercâmbios. Aliás, a falta de vagas tem levado várias associações de estudantes a reclamarem mais alojamentos universitários e a regulação do mercado, pois os estudantes que não têm direito a bolsa são obrigados a procurar as alternativas que restam – alugar um quarto, arrendar uma casa ou ficar numa residência privada. As residências podem ser masculinas, femininas ou mistas e têm número limitado de vagas. 


É melhor optar por um quarto ou uma casa?
Tudo depende da privacidade que se deseja e, acima de tudo, do orçamento disponível. No caso de optar por uma casa sempre pode tentar partilhar, de forma a reduzir as despesas, ou seja, pode tentar encontrar alguém para dividir o imóvel. Ao colocar esse anúncio ou quando procurar essa pessoa, já deve ter o trabalho de casa feito: o perfil desejado da pessoa e as condições de arrendamento. 

Quanto pode custar? 
Os preços são os mais variados e dependem da solução que escolher. Se optar por uma residência universitária não vai pagar menos de 300 euros por mês mas, se preferir arrendar um quarto – em casa de uma família ou em apartamentos com outros estudantes –, vai ter de gastar entre 164 euros (em Viseu) e 500 euros (em Lisboa) por mês. Se preferir uma casa só para si conte praticamente com o dobro das despesas. Em Lisboa, por exemplo, é raro encontrar apartamentos inferiores a 550 euros.

 Onde pode procurar?
Além das tradicionais ofertas, como é o caso das mediadoras, os estudantes têm agora a vida mais facilitada porque existe uma oferta mais alargada para este segmento. Uma das ferramentas online mais conhecidas é a Uniplaces. Também a Home4Students é uma das páginas de Facebook que pode consultar para pesquisar e anunciar as ofertas de alojamento na sua área ou região. Além da oferta tradicional também pode encontrar no OLX ou no Imovirtual os mais variados anúncios para qualquer parte do país. Todos estes sites se destinam a disponibilizar um serviço de procura de alojamento para os milhares de universitários deslocados da sua residência habitual.

Quais os riscos destas opções?
Os que optam por arrendar um quarto enfrentam os maiores riscos. É frequente chegarem queixas às associações de estudantes, por exemplo, de restrições de que os arrendatários são alvo. Os preços elevados e, acima de tudo, a falta de qualidade do espaço são as principais reclamações. “Como é que alguém consegue viver e estudar numa cidade durante três e quatro anos sem ter acesso a uma cozinha? Há estudantes que vivem assim: só com quarto e casa de banho. As pessoas sujeitam-se porque o preço é mais baixo ou porque fica num local próximo da faculdade”, é uma das chamadas de atenção feitas pelas mais variadas associações de estudantes. De acordo com os dados divulgados ao i pelo OLX, só no mês de agosto, a procura por quartos disparou 20,42%, tendo sido feitos mais de 113 mil contactos.


Programas de Solidariedade Sénior podem ser uma opção?
Sem dúvida. Os alunos universitários ficam em residências para idosos em troca de companhia e algum apoio que seja necessário, desde compra de remédios a acompanhamento a consultas médicas, entre outras tarefas. Estes programas estão por vezes associados também às universidades onde os idosos deixam a sua candidatura. Porto, Aveiro, Coimbra e Leiria são algumas das cidades que disponibilizam estes serviços. Por exemplo, uma instituição particular de solidariedade social de Braga lançou o programa “Avóspedagem”, promovido pelo Fundo Social. Além de combater a solidão dos mais velhos, a iniciativa pretende também ajudar os estudantes com dificuldades em encontrar alojamento durante o seu percurso académico. A medida serve igualmente para ajudar a contrariar a desertificação dos centros das cidades e ainda para contribuir para o convívio intergeracional. O objetivo passa por permitir ao estudante ficar hospedado no domicílio do idoso e retribuir-lhe sobretudo com companhia, além de um valor monetário “simbólico”. Segundo o regulamento, os “senhorios” têm de ter mais de 60 anos, devem viver sozinhos ou acompanhados do cônjuge ou de um outro familiar e respeitar as rotinas de estudo dos “inquilinos”. Devem ainda dispor de “condições mínimas” para acolher o estudante, nomeadamente um quarto individual onde possa ter uma mesa de apoio ao estudo, instalações sanitárias com água quente, uma cozinha para confecionar refeições e guardar os alimentos em condições de higiene e de conservação. Também a Câmara do Porto avançou com um programa idêntico: o Programa Aconchego, uma iniciativa que visa “apoiar e promover o bem-estar dos mais velhos, através do alojamento de estudantes universitários nas suas casas”, refere. Podem inscrever-se seniores com mais de 60 anos e estudantes entre os 18 e os 35 anos que não residam no concelho do Porto. Já em Coimbra é possível encontrar o Projeto Lado-a-Lado, promovido pelo Centro de Acolhimento João Paulo II em parceria com a Associação Académica de Coimbra. No entanto, conte com entraves, já que no site da Universidade de Coimbra é deixado o alerta de que “não há idosos suficientes para dar resposta a todos os estudantes”. 


E há zonas privilegiadas?
 Sim. Quem estuda em Lisboa prefere viver na zona de Arroios, cujas rendas médias mensais de um quarto privado em casa partilhada rondam os 379 euros, segundo um estudo divulgado ontem pela Uniplaces, o que representa um aumento de 6,8% face a 2018. A proximidade das universidades colocou as zonas da Alameda e Entrecampos em segundo e terceiro lugar da procura, com rendas médias mensais de 461 e 422 euros, respetivamente. Alcântara, Sete Rios e São Sebastião são as zonas de Lisboa menos procuradas, com uma renda média mais elevada, no valor de 416,54 euros. A norte do país, Paranhos é a zona mais procurada: apresenta uma renda média de 296,57 euros, valor que sofreu um aumento de 4% face ao ano anterior. No caso da Cedofeita e do Bonfim, estas zonas registaram uma renda média de 311 e 312 euros, respetivamente. Rio Tinto surge como a zona mais cara para se estudar, com uma renda média de 338,94 euros. 

Qual é a melhor altura para procurar?

A melhor época para procurar casas/apartamentos disponíveis é no começo de cada semestre, ou seja, no arranque de setembro e no início de fevereiro. Por norma, alojamento mais perto da universidade é o que tem maior procura; logo, será o primeiro a ser arrendado, mas conte também com preços mais altos. 

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