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Escolhas

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Miguel Pinto-Correia 12/09/2019 09:17

As escolhas do BE, confirmadas por Catarina Martins, são claras: tornar Portugal uma ditadura de esquerda apenas comparável às da Venezuela, Cuba e Coreia do Norte.

Já se tornou viral a frase “iluminada” de Catarina Martins, coordenadora nacional do Bloco de Esquerda (porque presidir é muita responsabilidade junta), aludindo ao facto de que Portugal tem de evitar a todo o custo um sistema fiscal eficiente e o menos penalizador possível: “Não queremos que Portugal seja uma Irlanda, uma Holanda [leia-se Países Baixos] ou um Luxemburgo”.

Mas como ninguém no referido partido percebe seja o que for de economia, permitam-me que explique o seguinte:

1. Salários mínimos e médios superiores aos salários portugueses. O salário mínimo na Irlanda é de €1509, nos Países Baixos de €1695, e no Luxemburgo de €2071. Note-se que todos estes países possuem um taxa de IRC inferior à de Portugal. Outro exemplo para o qual o BE deveria olhar é o do Centro Internacional de Negócios da Madeira, onde a taxa de IRC é de 5%, permitindo (in)diretamente aos funcionários das empresas aí sediadas auferirem salários superiores ao salário mínimo e médio regional.

2. A taxa de desemprego nos países detestados pela ex-atriz Catarina Martins, os quais implementam fortes políticas liberais no mercado de trabalho, é desde 2000 significativamente mais baixa que em Portugal (com exceção para a Irlanda durante a crise financeira de 2007). Portugal apresenta neste momento uma taxa de desemprego de 6,6%; por seu turno, o Luxemburgo apresenta uma taxa de desemprego de 5,7%, a Irlanda de 5,2%, e os Países Baixos de 3,4%.

3. É ainda característica dos Países Baixos, Luxemburgo e Irlanda constarem dos lugares cimeiros do Relatório Global de Competitividade produzido pelo Fórum Económico. Enquanto Portugal é relegado para o 34.o lugar do ranking, os Países Baixos encontram-se em 6.o lugar, à frente de RAE Hong Kong, China e logo depois de Japão, Suíça e Alemanha.

4. Já o canadiano Fraser Institute coloca os países detestados pelo BE como sendo aqueles que garantem maior liberdade económica aos investidores, consequentemente considerando os mesmos como países capazes de atrair e reter investimento direto estrangeiro no longo prazo.

5. De igual forma, o Índice de Democracia, produzido pela Economist Intelligence Unit, coloca os Países Baixos, a Irlanda e o Luxemburgo como sendo democracias plenas. Algo que não acontece com Portugal, o qual o ranking considera como sendo uma democracia falhada e encontrando-se numa posição inferior à de países como os EUA, Cabo Verde, Uruguai e Costa Rica.

De facto, faz parte da matriz identitária do BE escolher não ser como os Países Baixos, a Irlanda ou o Luxemburgo. De facto, faz parte da matriz identitária do BE condenar Portugal ao marasmo económico e à falta de liberdade dos seus cidadãos.

As escolhas do BE, confirmadas por Catarina Martins, são claras: tornar Portugal uma ditadura de esquerda apenas comparável às da Venezuela, Cuba e Coreia do Norte.

“A liberdade económica é um requisito essencial para a liberdade política. Ao permitir que as pessoas cooperem entre si sem coerção ou direção central, reduz a área sobre a qual o poder político é exercido”. – Milton Friedman, Prémio do Banco da Suécia para as Ciências Económicas em Memória de Alfred Nobel (Prémio Nobel da Economia).

Economista

 

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