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EUA. O conselheiro que Trump tentava "moderar" foi afastado

EUA. O conselheiro que Trump tentava "moderar" foi afastado

AFP João Campos Rodrigues 10/09/2019 20:36

John Bolton opôs-se às tentativas de Trump para negociar com os talibãs. O conselheiro era conhecido pelo seu belicismo e estaria desavindo com o secretário de Estado, Mike Pompeo.

O Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou ter pedido a demissão de um dos mais influentes membros da sua administração, John Bolton. “Discordava fortemente de muitas das suas sugestões, como discordavam outros na administração”, escreveu Trump no Twitter.

Na raiz do problema estaria a posição tendencialmente belicista de Bolton. Mas se foi isso que lhe valeu entrar na equipa do Presidente, em abril de 2018 - dado estar em linha com a política de crescente confrontação entre Trump e o Irão -, agora essa posição terá entrado em choque com a aproximação do Presidente à Coreia do Norte e aos talibãs, segundo avançou a CNN - que ainda a semana passada noticiou as disputas internas que ferviam dentro do Executivo. Bolton terá criado uma fação à sua volta, contra outra centrada em torno do Secretário de Estado e ex-diretor da CIA, Mike Pompeo.

Se os dois dirigentes são considerados extremamente belicistas, Pompeo terá tido maior capacidade de se acomodar à vontade do Presidente - que atualmente quer negociar com a Coreia do Norte e com os talibãs. “Às vezes modero o John [Bolton], o que é bastante incrível”, mencionou Trump aos repórteres, em maio.

Ainda a semana passada o Washington Post noticiou que Bolton terá sido posto de lado nas negociações com os talibãs. O presidente norte-americano pretende retirar praticamente todas as tropas dos EUA do Afeganistão em finais de 2020 - na altura das próximas presidenciais norte-americanas - mas a constante oposição de Bolton terá irritado o Presidente, algo que terá tido um papel na sua demissão.

Recorde-se que, ainda há alguns dias Trump anunciou no Twitter ter cancelado um encontro secreto com dirigentes talibãs, em Camp David, após o grupo ter reivindicado um atentado que vitimou um soldado dos EUA no Afeganistão. O cancelamento deitou abaixo as negociações de paz entre os talibãs e os Estados Unidos - que decorriam há um ano - o que levou o grupo terrorista a prometer que irá provocar mais mortes junto dos norte-americanos. 

Canceladas ou não as negociações de paz, os analistas não deixaram de notar o quão extraordinário é que o Presidente tenha sequer ponderado receber nos EUA líderes do grupo terrorista que acolheu Osama bin Laden - ainda por cima tão próximo do aniversário do ataque às Torres Gémeas. Uma ideia que terá provocado duras críticas ao Presidente - inclusivamente de membros do seu partido.

“À medida que nos aproximamos do aniversário do 11 de Setembro, não quero nunca ver estes terroristas pôr os pés nos Estados Unidos”, disse à CNN, o congressista republicano Michael Waltz. Outro congressista, Adam Kinzinger, acusou os talibãs de “terem mostrado zero desejo de paz”, tendo mesmo aumentado os seus ataques. Muitos vêm na insistência de Trump um sinal da sua necessidade de uma vitória externa, após a falta de resultados das suas negociações com a Coreia do Norte, principalmente quando se aproximam as eleições americanas.

 

Ameaça de guerra O próprio partido republicano mostrou-se dividido quanto à demissão de Bolton. Para o senador Rand Paul, “a ameaça de uma guerra diminuiu exponencialmente em todo o mundo com John Bolton fora da Casa Branca”. O senador assegurou que Trump merecia conselheiros que apoiassem as tentativas de negociar com os talibãs e “pôr fim à guerra mais longa dos Estados Unidos”.

Já a senadora republicana Lindsey Graham elogiou Bolton, afirmando que este “serviu bem o país”, dando ao Presidente “a sua opinião honesta”. Contudo, nota que “é tempo para ele seguir em frente”.

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