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MOTELx. O ano do fim do mundo

MOTELx. O ano do fim do mundo

Cláudia Sobral 10/09/2019 17:48

A ele, nem o cinema escapa. Com Ma, de Tate Taylor, o Festival Internacional de Cinema de Terror de Lisboa arranca esta noite para a sua 13.ª edição. Para o mesmo dia está marcada a primeira exibição em Lisboa de Bacurau, o último filme de Kleber Mendonça Filho. Isto numa edição que, à procura de “assustar os espetadores” num tempo em que “as alterações climáticas já fazem esse trabalho diariamente”, traz Ari Aster e Jack Taylor como convidados a Lisboa.

Ma

Para filme de abertura do 13.º MOTELx, Ma, de Tate Taylor. Uma produção da Blumhouse Productions (a mesma de Get Out, Insidious e The Purge) protagonizada por Octavia Spencer para a história de uma mulher de nome Sue Ann (Spencer) que, na sua casa solitária num bairro pacato no Ohio, acolhe na sua cave um grupo de adolescentes aos quais impõe uma série de regras, como nunca subirem as escadas ou jamais se referirem a ela como Ma. 

Bacurau

Num futuro que a realidade política brasileira tornou mais próximo do que pareceria possível, em Bacurau, uma pequena aldeia do sertão brasileiro, chora-se ainda a morte da matriarca daquela localidade, Carmelita, quando os habitantes começam a descobrir que a aldeia desapareceu de todos os mapas. É Kleber Mendonça Filho, na companhia de Juliano Dornelles (correalizador), a aproximar-se do cinema de género, neste filme que sucede a Aquarius e que em Cannes venceu o prémio do júri. Em Portugal, Bacurau foi até aqui exibido apenas uma vez, no Curtas Vila do Conde.

The Golden Glove 

Estreado em fevereiro passado em competição pelo Urso de Ouro no Festival de Cinema de Berlim, também The Golden Glove tem a sua estreia nacional no MOTELx. De Fatih Akin, realizador de Uma Mulher Não Chora, que neste filme que é a sua estreia no terror se voltou para a história que na década de 1970 chocou Hamburgo, descoberta a razão para o desaparecimento de várias mulheres na cidade, que tinha um rosto: Fritz Honka. O filme resulta de uma adaptação do best-seller homónimo de Heinz Strunk.

Midsommar 

De Ari Aster, chega a Lisboa em estreia nacional um dos mais aguardados filmes da programação deste MOTELx. Numa coprodução entre EUA e Suécia, um pesadelo escandinavo ao sol do verão nórdico, Midsommar é exibido numa sessão com a presença do realizador. Para domingo está também marcada uma conversa com Ari Aster que, a par de Jordan Peele, tem vindo a afirmar-se como um dos nomes de proa do cinema de terror norte-americano, seguida de uma sessão de autógrafos.

Necronomicon – Geträumte Sünden

Como a figura homenageada desta edição, o ator Jack Taylor viaja até Lisboa para este MOTELx. Com o ator mais que conhecido entre os fãs do género, uma produção de 1968 da RFA assinada por Jesús Franco. Necronomicon, a obra maior do cineasta espanhol desaparecido em 2013, foi na época censurado em várias cenas pelo franquismo. Um filme, aliás, rodado em Lisboa, do qual sobram pouquíssimas cópias em 35 mm – diz-se que uma delas pertence a Quentin Tarantino – e que conta ainda com a curiosidade de ter marcado a estreia de Karl Lagerfeld no cinema.


O Construtor de Anjos

Na edição em que a secção Quarto Perdido comemora o seu 10.º aniversário, o MOTELx revisita um género que batiza de Slashers à Portuguesa, com o regresso a dois filmes, em sessões que contam com a colaboração da Cinemateca Portuguesa: Rasganço, um filme de 2011 de Raquel Freire, e O Construtor de Anjos (1978), de Luís Noronha da Costa, o único filme que rodou com apoios oficiais, mas que viria a tornar-se um filme “maldito” e, por isso, pouco visto, pelas temáticas em torno das quais gravita: a pedofilia e o infanticídio.

Carta branca a João Pedro Rodrigues

Plant in My Head (2014), de Pedro Maia, Solo (2012), de Mariana Gaivão, A Rapariga da Mão Morta (2005), de Alberto Seixas Santos, A Rapariga no Espelho (2003), de Pedro Fortes (na imagem), e A Felicidade (2008), de Jorge Silva Melo, são as curtas-metragens que fazem a sessão especial (hoje, às 19h20, na Sala 3 do São Jorge) em parceria com a Agência da Curta-Metragem, programada numa carta-branca ao realizador João Pedro Rodrigues.

Horror Noire: A History of Black Horror

A secção dedicada ao cinema documental – Doc Terror – conta nesta edição com a estreia nacional de Horror Noire:A History of Black Horror. Um documentário do norte-americano Xavier Burgin e que é o primeiro produzido pela plataforma de streaming Shudder, a contar a história da representação de pessoas negras no cinema de terror norte-americano. Do seminal The Birth of a Nation (1915), de D. W. Griffith, que apresenta como vilão um negro capturado pelo KKK, até ao cinema contemporâneo.

The Pool

Humor negro no último filme do tailandês Ping Lumpraploeng, integrado na secção Serviço de Quarto. Com o fim de um dia de rodagem de um anúncio numa piscina desativada como pano de fundo, The Pool é um filme do género survival rodado apenas num décor – a piscina – tomando um assistente de cenografia como protagonista, com direito a uma sesta, um colchão insuflável... e um crocodilo. Dos verdadeiros – ou quase. 

Lords of Chaos

Numa edição em que o cinema nórdico se faz bem presente, chega-nos pelo MOTELx o filme em que o realizador sueco Jonas Åkerlund resolveu viajar até à Oslo de 1987 para contar a macabra história que marcou a sociedade norueguesa, no tempo do surgimento do black metal e das bandas que ajudaram a defini-lo: Mayhem e Burzum. Acreditando estar a protagonizar uma revolução musical e numa disputa pelos louros de uma série de atos de vandalismo entre os quais se contavam incendiar
igrejas e profanar lápides de cemitérios, a história terminou em sangue, com Euronymous, guitarrista de Mayhem, assassinado por Varg, ex-membro de Burzum.

 

 

 

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