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Regresso às aulas. Saiba como poupar

Regresso às aulas. Saiba como poupar

Sónia Peres Pinto 09/09/2019 23:44

As famílias portuguesas estão a pensar gastar menos no arranque de mais um ano letivo. Se, em 2018, a ideia era despender 399 euros, este ano pretendem reduzir a fatura para 363 euros.

Mais contas para pagar: é desta forma que a maioria das famílias portuguesas veem o início de mais um ano letivo e, ao contrário do que aconteceu em 2018, a ideia é gastar ainda menos com esta fatura. Ao todo, o objetivo é despender cerca de 363 euros nas compras do regresso às aulas. Trata-se de menos 36 euros em relação ao ano anterior e é preciso recuar a 2013 para encontrar valores tão baixos. A conclusão é de um estudo realizado pelo Cetelem e revela ainda que a maioria dos pais (78%) vão obter gratuitamente os manuais escolares (ver texto ao lado).

Esta percentagem aumenta para 89% entre os inquiridos que têm estudantes a seu cargo no ensino público desde o 1.o ciclo ao secundário. “Trinta e dois por cento referem a intenção de comprar novos (alguns inquiridos têm dependentes em diferentes tipos e graus de ensino, não estando todos abrangidos pelos manuais gratuitos). Oito por cento dos portugueses optam por pedir emprestado alguns manuais a amigos e familiares ou utilizar dos irmãos”, revela o documento.

Quase metade dos portugueses (48%) iniciam as compras duas semanas antes do começo das aulas. Pouco mais de um terço (34%) começam a fazer essas compras apenas a uma semana do arranque das aulas e 14% compram quando as aulas já começaram.

As principais despesas serão com material escolar essencial – como mochilas, cadernos e canetas –, materiais para a prática desportiva e materiais de apoio didático. Mas vamos a números. O vestuário/calçado (88%), artigos de desporto (89%) e despesas com material escolar (98%) lideram as intenções de compra para o regresso às aulas.

A maioria das famílias prefere comprar o material escolar num momento único (64%) – “uma opção que se verifica com mais peso entre quem tem estudantes no ensino secundário (71%) e no ensino público (65% versus os 50% do ensino privado)”, revela o estudo.

A par destas despesas, também a semanada constitui uma fatia relevante para os agregados familiares, que indicam disponibilizarem, em média, 20 euros por semana para os estudantes gastarem no período de aulas. Cerca de metade dos inquiridos (52%) não sabem ao certo, no entanto, o valor que disponibilizam, podendo este variar. Já 21% refere disponibilizar aos alunos entre 11 e 20 euros e apenas uma pequena percentagem (1%) refere que esse valor pode atingir os 50 euros.

Hipermercados As grandes superfícies continuam a ser os locais eleitos pelos consumidores para fazer compras. Cerca de 85% pretendem fazê-las nos hipermercados, seguidos das papelarias tradicionais (54%) e de livrarias e lojas especializadas (54%). A internet continua a ter pouco relevo no momento da aquisição (4%).

A verdade é que recorrer à reutilização de material e de livros escolares e não comprar tudo o que os filhos pedem são alguns dos truques utilizados cada vez mais pelos consumidores para fazerem face a estes gastos. A maioria dos inquiridos consideram positiva a reutilização de materiais escolares como, por exemplo, manuais (95%). E 90% são favoráveis à substituição dos manuais em papel por manuais digitais, considerando 91% que a substituição de manuais em papel por manuais digitais seria uma medida positiva para o ambiente”, refere o estudo.

Este não é um caso isolado e a maioria dos portugueses estão mais contidos na hora de comprar. Aproveitar as promoções dos hipermercados, das livrarias ou até mesmo das editoras é outra forma encontrada pelos pais para conseguirem comprar tudo a preços mais acessíveis.

Recorrer aos sites na internet das editoras e dos livros pode fazer toda a diferença no momento de pagar. Estes livros são exatamente iguais aos que poderia comprar numa loja física, mas as cadeias oferecem uma percentagem de desconto pela encomenda online, bem como outras condições favoráveis, nomeadamente portes gratuitos ou vales de desconto para compras futuras. A escolha é variada: a Wook, a Porto Editora, o Continente (descontos em cartão tanto nos manuais como no material escolar), a Leya e a Bertrand oferecem descontos nas compras feitas online e as “promoções” poderão ser ainda maiores em determinados materiais, como dicionários e livros de preparação para os testes, etc. Mas os preços reduzidos não ficam por aqui. Os hipermercados também estão a fazer promoções ao material escolar nas suas páginas da internet.

Crédito com maior peso Esta é uma das formas encontradas pelas famílias portuguesas para fazerem face a estes gastos habituais no início de cada ano letivo. Aliás, de acordo com o estudo do Cetelem, a intenção de consumo no regresso às aulas financiado por cartões de crédito manteve-se praticamente inalterada face aos indicadores de anos recentes, com 26% dos portugueses com estudantes a seu cargo a indicar que poderão vir a utilizar essa opção de pagamento. “É entre os que têm a seu cargo alunos do 1.o ciclo (71%) que se encontram mais pessoas que não tencionam utilizar o cartão de crédito. E há mais pessoas que pretendem usar cartão de crédito entre os inquiridos com alunos no pré-escolar (34%). Em relação à tipologia de ensino, há mais encarregados de alunos do ensino privado que tencionam utilizar o cartão de crédito (40% versus 25% do ensino público). Numa visão regional, verifica-se que é na região Centro que há mais consumidores a tencionar usar o cartão de crédito (41%), acrescenta o documento.

No entanto, essa escolha de recorrer ao crédito implica juros, tornando o material mais caro do que realmente é. Apesar de prometerem como vantagens a celeridade, a comodidade e a menor burocracia, os créditos rápidos implicam sempre juros mais elevados, o que pode vir a complicar ainda mais a situação financeira da família. Mas para aqueles que não têm outra alternativa e estão a pensar em pedir um financiamento a curto prazo, a utilização do cartão de crédito ou o saldo a descoberto da conta-ordenado podem ser as melhores soluções.

Por outro lado, e tal como aconteceu em anos anteriores, há muitas famílias a optarem por usar os cartões de fidelidade para fazer compras.

Cinco dicas para poupar

1 - Fazer uma Lista

Orçamento Antes de ir às compras, opte por fazer um levantamento de todo o material de que precisa e do dinheiro que tem disponível para gastar. Desta forma é mais fácil evitar aquisições impulsivas e supérfluas. Tente partilhar esse valor com o seu filho. Esta é uma boa altura para ensinar as crianças a gerir o seu próprio orçamento, a tomar decisões e a perceber como funciona o dinheiro. 

2 - Reutilizar material 

Reciclar Pode também aproveitar esta altura para rever o que tem em casa e decidir o que pode ser reutilizado. Há sempre materiais que podem ser aproveitados de um ano para o outro. Aposte em reciclar o que pode ser usado, dando-lhe um aspeto mais novo e personalizado. Por exemplo, mochilas e estojos podem facilmente ser reutilizados num novo ano escolar.

3 - Comparar preços

Analisar Os hipermercados já começaram as campanhas de regresso às aulas. A oferta é variada, há produtos para todos e a todos os preços. Por isso mesmo, antes de comprar, analise toda a oferta existente, esteja atento aos folhetos promocionais que recebe no correio e escolha quem apresentar os preços mais baixos. Pode também optar por comprar através da internet. Há casos em que é possível obter descontos na ordem dos 10%. Basta comparar.

4 - Escolher marcas brancas

Reduzir fatura As marcas são mais caras do que os produtos de marca branca e cumprem a mesma função. Se optar pelos segundos, consegue poupar largos euros na fatura final. Por exemplo, se está a pensar comprar uma mochila de marca, prepare-se para desembolsar mais de 30 euros, mas se optar pela compra de uma mochila simples, sem marca, à venda num hipermercado, a despesa não ultrapassará os cinco euros. 

Ter cuidado com o crédito

Endividar-se Recorrer a um crédito pode ser uma ideia tentadora para fazer face aos gastos excecionais nesta altura do ano, mas há que ter cuidado. É necessário fazer muito bem as contas e ver se o seu orçamento familiar comporta mais um crédito, sobretudo se este implicar o pagamento de juros. Pode, no entanto, optar por fazer crédito sem juros, que é disponibilizado nalgumas lojas. Mas confirme se é mesmo zero por cento de juros. 
 

 

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