22/9/19
 
 
Vítor Rainho 09/09/2019
Vítor Rainho

vitor.rainho@newsplex.pt

É preciso defender Marvila e a sua história

Do Poço do Bispo ao Beato parece que, finalmente, foi descoberto petróleo

As instalações da redação do jornal i ficam na Rua do Açúcar, em Marvila, e quando viemos para cá, há três anos e pouco, a zona refletia o abandono a que tinha sido votada durante muitos anos, reflexo da crise que afetou as empresas que aqui laboravam. Havia já alguns empresários com ligação à zona a tentar fazer projetos que se enquadravam na cultura do bairro, embora numa vertente mais progressista. Pouco tempo depois de chegarmos assistiu-se a um boom de venda de grandes armazéns, prédios e tudo que desse para fazer condomínios de luxo e afins.

Do Poço do Bispo ao Beato parece que, finalmente, foi descoberto petróleo. Nada contra, até porque era bastante decadente ver espaços atrás de espaços abandonados. Mas, no meio disso, existem verdadeiras ilhas que representam a história de uma zona com história. Tascas como o Tasco do Artur, restaurantes como a Floresta do Oriente, entre muitos outros, merecem ser preservados em nome de uma vida difícil que muitos dos habitantes operários passaram. A fúria dos negócios imobiliários é legítima, já que ninguém compra e constrói sem ser para ganhar dinheiro. Mas cabe às entidades competentes impedir que os símbolos de uma zona sejam todos destruídos, pois a história não pode ser apagada de uma forma tão radical, como se uma bomba atómica caísse sobre a área oriental da capital, que foi e é abrigo de tanta gente.

Acredito que são muitas as vilas operárias ou pátios debaixo da mira desses interesses. Acredito que algumas das pessoas que aí vivem jamais queiram sair e que venham a ter de enfrentar um processo complicado para manterem a sua habitação. Mas empresários inteligentes jamais quererão transformar Marvila numa zona igual a qualquer outra. É o encanto das tascas, das galerias, dos novos restaurantes que recuperaram armazéns abandonados que poderá ser uma das mais-valias da futura zona de luxo da capital. É preciso defender Marvila dos abutres imobiliários. 

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