22/11/19
 
 
João Gomes Almeida 06/09/2019
João Gomes de Almeida

opiniao@newsplex.pt

O centro-direita vai ganhar as legislativas

Imaginemos uma peça de telejornal sobre o debate quinzenal do estado da nação. Normalmente o que vemos são as intervenções do Governo e dos seus cinco partidos de esquerda e depois as intervenções do PSD e CDS. Bem feitas as contas, a desproporcionalidade mediática é chocante, principalmente neste cenário de geringonça. 

Este título pode parecer descabido e tenho a certeza que o seria caso afirmasse que o centro-direita poderia governar depois das eleições, ou que provavelmente teria mais deputados do que a esquerda depois de 6 de Outubro. Todos sabemos que isso não acontecerá. Mas o que aqui afirmo é substancialmente diferente: tudo aponta para que o centro-direita saia reforçado, mesmo com menos deputados, depois das eleições. O que é sem dúvida uma importante vitória. Confuso?

A explicação é mais óbvia do que à primeira vista aparenta: muito provavelmente as eleições legislativas farão surgir três novos grupos parlamentares à direita, o que irá alterar substancialmente a reconfiguração parlamentar portuguesa, que durante os últimos anos foi absolutamente desproporcional. Ora vejamos, do lado da esquerda tínhamos tempo de antena para cinco partidos (PS, BE, PCP, PEV e PAN) e ainda para o Governo. Do lado da direita tínhamos espaço mediático apenas para PSD e CDS. Acha justo? Claro que não.

Se ainda tem dúvidas quanto ao facto de Aliança, Chega e Iniciativa Liberal virem a eleger deputados, atente às últimas sondagens, acompanhe a extrapolação de mandatos que José Ribeiro Castro tem feito nas suas crónicas no Observador, com base quer nas sondagens, quer nos resultados das eleições europeias e por fim atente ainda à seguinte frase de Rui Oliveira e Costa, director da Eurosondagem, esta semana, no Público: “Agora, em 2019, temos um novo quadro. Segundo a média das sondagens os OP/B/N dobram, passando de 6% para 12%”.

Mas o que é que a quantidade de grupos parlamentares de cada lado importa? É simples: um maior tempo de antena na comunicação social e uma mais fácil manipulação do espaço mediático pelo lado mais favorecido. Neste caso a esquerda.
Ora vejamos, imaginemos uma peça de telejornal sobre o debate quinzenal do estado da nação. Normalmente o que vemos são as intervenções do Governo e dos seus cinco partidos de esquerda e depois as intervenções do PSD e CDS. Bem feitas as contas, a desproporcionalidade mediática é chocante, principalmente neste cenário de geringonça. Trocado por miúdos, o eleitor consome seis opiniões pró-governo e apenas duas opiniões contra – isto mesmo a direita contando com 107 deputados, contra os 123 parlamentares dos cinco partidos de esquerda. 

Imaginemos agora este cenário a replicar-se em todo o lado: nas peças de telejornal sobre as campanhas eleitorais, nas notícias na imprensa escrita, no número de entrevistas a líderes partidários, no on-line e até nos debates televisivos. É isto que acontece e este foi um dos principais motivos para a decadência eleitoral da direita. É incrível que nenhum estratega da direita tenha visto o óbvio ululante: a esquerda unida irá vencer todo e qualquer debate na sociedade portuguesa enquanto contar com o triplo do tempo de antena da direita. Será assim tão difícil de perceber? 

Pode parecer descabido, mas se tivesse que aconselhar os líderes do PSD e CDS a estratégia seria simples: façam uma coligação pré-eleitoral alargada, sacrifiquem alguns dos vossos deputados e garantam que na próxima legislatura proliferam pequenos grupos parlamentares de direita. Desta forma, mesmo perdendo assentos parlamentares, a direita estaria a reequilibrar o jogo do tabuleiro mediático nacional. Como tal já não é possível, resta aos eleitores de direita fazerem esse mesmo trabalho através do nosso voto no dia 6 de outubro. É pena. 

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