22/9/19
 
 
Rodrigo Alves Taxa 06/09/2019
Rodrigo Alves Taxa

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O momento em que Rio e Cristas esmagaram toda a esquerda

 Rui e Assunção, porque raio não foram assim nestes quatro anos? Porque raio se têm capacidade para estarem ao nível que agora estiveram, deixaram chegar os vossos partidos onde estão? Porque contribuíram para que as pessoas não vos vejam hoje pelo potencial que têm? 

Volvida a semana passada em que escrevi sobre a confrangedora, ridícula mesmo, aparição de Costa na TVI, escrevo esta semana sobre as prestações de Rio e Cristas no mesmo programa. E faço-o também por uma questão de justiça aos próprios, porque muito crítico de ambos sou, no que entendo ser a sua contribuição para a falta de rumo da direita portuguesa. Assim, e ainda que tal não chegue para mudar o que atrás referi, é porém inegável que ambos estiveram muitíssimo bem na TVI. Já sei que a malta de esquerda nos comentários que o meu artigo terá, irá dizer que estou a lamber as botas a alguém. Outros, apatetados com certeza, chamar-me-ão fascista ou sei lá que mais. É para onde durmo melhor. O que é, é e, o que não é, não é. Independentemente das camisolas, sei criticar mas também elogiar a mesma pessoa consoante as circunstâncias. Feita a declaração de intenções, vamos à matéria. Cristas esteve extraordinariamente eloquente, numa fluência discursiva e ideológica que nestes quatro anos pouco demonstrou. Se a isto somarmos, estar perante uma Constança Cunha e Sá que a comparar com a atitude serviçal que teve perante Costa, estava em modo “on fire”, teve talvez a sua melhor prestação de sempre em televisão. Foi o espelho do CDS que Portugal precisa. Já na passada terça-feira foi a vez de Rui Rio, finalmente, mostrar quem é. Devo dizer que estava com receio da prestação do líder social democrata neste debate. Sou franco, achei que seria uma desgraça. Um falhanço em toda a linha. Um flop. Enganei-me redondamente. Rio foi uma muito agradável surpresa e, tal como Assunção, mas ao seu estilo, esteve em estadista. Deu gosto ver e ouvir Rui Rio. Destruiu completamente algumas caracterizações erradas que se foram fazendo sobre si, ainda que para muitas delas tenha contribuído e, assumiu finalmente, como sempre deveria ter feito, que o PSD não é um PS2. Poderoso, pragmático, frontal, sem fazer fretes a ninguém, a responder a tudo com franqueza e, sem desvios às questões colocadas, esteve um senhor! Mas se gostei imenso de toda esta conjunção, gostei ainda mais, sobretudo, do tom em que a mesma surgiu. Um Rio empático, descomplexado, nada sisudo, quase que por vezes parecendo estar até divertido com o quão fácil estava a ser a sua prestação. Como dizem os toureiros “esteve a gosto”. Por tudo isto, pergunto: Rui e Assunção, porque raio não foram assim nestes quatro anos? Porque raio se têm capacidade para estarem ao nível que agora estiveram, deixaram chegar os vossos partidos onde estão? Porque contribuíram para que as pessoas não vos vejam hoje pelo potencial que têm? Não se compreende. O único problema foi terem entrado no jogo muito tarde e com duques e cartas furadas pelo meio. Não vai chegar para vencer. Nem perto e, infelizmente, a seu tempo, o país arrepender-se-á disso. Mas Portugal pôde ver o que são dois políticos a sério. Dos que fazem falta. E igualmente importante: há afinal vida no PSD e no CDS. No momento em que escrevo este artigo, já Catarina Martins foi ao programa e André Silva irá esta noite. Para a semana deles falarei. Mas só para adocicar a boca, óh Catarina, tenha Deus Nosso Senhor pena de si. Que miséria. Não estivesse em Portugal, e não seria política em mais lado nenhum… 
 
Escreve à sexta-feira

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