13/11/19
 
 
Mário Bacelar Begonha 04/09/2019
Mário Bacelar Begonha

opiniao@newsplex.pt

‘Upside down’ - de pernas para o ar - tudo ao contrário

Quando um trabalhador profissional do futebol português é vendido por 120 milhões e fica com um ordenado de 7 milhões, ao ano, 800 euros à hora, os Partidos da esquerda radical nada dizem.

Compete, prioritariamente, aos sociólogos a análise do que se passa na sociedade, ou seja, a análise das interacções sociais e estabelecer uma escala valorativa na sociedade, em função dos valores sociais, que, de facto, são importantes para a sociedade por serem estruturantes e, decisivos para a construção de uma sociedade igualitária e inclusiva e democrática.

A grande questão entre a esquerda e a direita é, sobre tudo, a do rendimento, assumindo-se a esquerda radical como campeã do baixo rendimento, como se fosse proibido a qualquer cidadão rico ser de esquerda.

Assim a esquerda radical não reivindica um salário mínimo de 1200 euros/mês para os trabalhadores, mas quando um trabalhador profissional do futebol português é vendido por 120 milhões e fica com um ordenado de 7 milhões, ao ano, 800 euros à hora, os partidos da esquerda radical nada dizem!

Esta uma questão importante a ser debatida por sociólogos, e não só, mas também por psicólogos e psiquiatras, já que a sociedade europeia e mundial está, de facto, a viver uma séria inversão de valores, que é preocupante para qualquer governo, chefes de família, professores e, especialmente, os da disciplina de moral!

É que, dessa forma, os Ministérios da Educação (leia-se Instrução), e do Ensino Superior, o Instituto de Orientação Profissional, e todos aqueles que se devem preocupar com os incentivos para o aumento da literacia portuguesa, ficam numa situação difícil já que é complicado fazer hoje a apologia da miséria. Proudhon escreveu contra Marx A Filosofia da Miséria, ao que aquele respondeu com A Miséria de Filosofia, mas hoje a miséria mais miserável é a miséria moral, porque a material tem cura, é uma questão de uma distribuição mais equitativa e inteligente, por parte do Governo, e também um reforço da formação da juventude, sobretudo, na formação da integridade de carácter dos jovens, através de uma política de educação, de informação e de emprego, que seja, especialmente de protecção, e dirigida aos jovens até aos 30 anos de idade.

O ser humano é o animal, à superfície da Terra, que demora mais tempo a concluir a sua formação, isto é, só lá para os 23/24 anos terá a sua formação concluída, já que, ao contrário de todos os outros animais (irracionais), que nascem com todos os instintos, o Homem só nasce com dois: sobrevivência (alimentação) e reprodução (instinto sexual), embora Konrad Lorenz aponte mais dois.

Ora um jogador profissional de futebol que é contratado para um trabalho a tempo inteiro, aos 19 anos de idade, numa profissão de desgaste rápido, não vai ter tempo de completar a sua formação, quer em termos motores (cinesiologia), quer em termos de literacia (formação intelectual) e por isso fica a meio caminho de uma evolução normal que só estaria concluída aos 23/24 anos. A evolução do ser humano, em relação à evolução motora, tem que fatalmente passar por três etapas (fases): sincrética, analítica e sintética, ou seja, primeiro, na 2ª e 3ª infâncias, uma actividade, imprecisa, indeterminada, consubstanciada nos “brinquedos cantados”: agora sou um gigante e ando como tal, agora sou uma pulga e salto como ela, agora sou um avião... etc., etc.; depois uma actividade artificial, construída, que tem a sua expressão na ginástica (educativa) e por último uma actividade, livre, com gestos naturais, traduzida nos jogos e desportos.

Tudo isto em linha com a evolução, que se processa no crescimento e desenvolvimento do sistema nervoso humano, de baixo para cima, dos 5 metâmeros: telencéfalo, diencéfalo, mesencéfalo, mielencéfalo e metencéfalo. O córtex é responsável pelo comportamento voluntário, o tálamo pelo comportamento automático e o bulbo pelo comportamento reflexo. Se se passar da actividade sincrética para a sintética sem completar a analítica, a “performance” física nunca atingirá o desenvolvimento e perfeição que poderia alcançar, numa evolução normal, e o desenvolvimento intelectual também será afectado.

Quando isto acontece, os especialistas lamentam que as “autoridades” nada digam e nada façam!

Claro que o jogador fica rico, assim como outros, mas nunca terá “desenvolvimento humano” (U.N.).

Será que a Secretaria de Estado da Juventude sabe isto? E, se sabe, concorda?. E onde está a protecção da Juventude que deve competir a este organismo? Bom dia.

 

Sociólogo

Escreve quinzenalmente

Iniciar Sessão
Esqueceu-se da sua password?

×
×

Subscreva a Newsletter do i

×

Pesquise no i

×