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Artes. Duas mulheres na liderança do S. Carlos e do MAAT

Artes. Duas mulheres na liderança do S. Carlos e do MAAT

Diana Tinoco José Cabrita Saraiva 03/09/2019 17:04

A designer italiana Beatrice Leanza, com currículo no mundo asiático, substitui Pedro Gadanho no MAAT. Elisabete Matos assume direção do teatro de ópera.

Dois importantes marcos da vida cultural lisboeta – o bicentenário Teatro de S. Carlos e o hipermoderno Museu de Arte, Arquitetura e Tecnologia (MAAT) – anunciaram ontem os nomes das suas novas diretoras. A soprano Elisabete Matos assume a liderança do teatro de ópera, enquanto os destinos do museu da Fundação EDP ficam agora entregues à designer, curadora e crítica de arte italiana Beatrice Leanza.

Leanza, que chega ao cargo por convite da administração, depois de um concurso internacional e de uma ronda de entrevistas aos candidatos, tem um mestrado em Estudos Asiáticos e foi entre 2002 e 2006 curadora do China Art Archives and Warehouse, o espaço alternativo fundado em Pequim pelo artista crítico do regime chinês Ai Weiwei. Foi também curadora do projeto expositivo ‘Across Chineses Cities’, na Bienal de Arquitetura de Veneza, e entre 2012 e 2016 esteve à frente da Beijing Design Week, um evento que ganhou projeção e que, à semelhança do próprio MAAT, junta design, arte e arquitetura.

A curadora italiana sucede ao arquiteto Pedro Gadanho, que saiu da direção do MAAT em junho de 2016, depois de três anos à frente da instituição. Gadanho, que tinha no currículo uma passagem pelo MoMA, de Nova Iorque, não viu o seu contrato ser renovado pela administração da Fundação EDP.

Em entrevista ao Público, o arquiteto revelou as razões que lhe foram apresentadas para a sua saída: “Houve uma explicação que me foi dada por António Mexia muito diretamente. Que tinha ‘sondado’ o meio artístico e que este não estava a apreciar o trabalho que eu estava a fazer. Como não fui confrontado com factos concretos, não tinha grandes razões para contrapor fosse o que fosse”. Na mesma ocasião, Gadanho referiu que “o meio da arte portuguesa é muito fechado, é provinciano” e “está pouco habituado a consumir arte internacional”. Adiantou ainda que, se soubesse que o seu consulado no MAAT seria de tão curta duração, talvez não tivesse abandonado a sua posição no MoMA para abraçar este desafio. O ex-diretor do museu vai agora regressar aos EUA com uma bolsa de investigação na Graduate School of Design, de Harvard.

Greves e falta de condições Elisabete Matos chega ao S. Carlos numa fase conturbada da instituição, marcada por sucessivas greves que levaram ao cancelamento de vários espetáculos, nomeadamente as três récitas da ópera La Bohème, em junho. No final desse mês, o diretor artístico do teatro, o britânico Patrick Dickie, apresentou a demissão por falta de condições.

Elisabete Matos entra em funções a 1 de outubro. É a soprano portuguesa com maior currículo internacional. Nascida em 1970, estreou-se no Coliseu do Porto aos 18 anos, na ópera Carmen, de Bizet. Em 1988 estabeleceu-se em Madrid graças a uma bolsa da Fundação Gulbenkian. O comunicado do Ministério da Cultura sublinha que Matos “atuou nos mais importantes palcos mundiais”, “com um vasto repertório e com as melhores orquestras”. Em 2001 participou na Gala Verdi, com o reputado maestro Zubin Mehta a dirigir uma constelação de estrelas do canto lírico, e em 2010 estreou-se no Metropolitan de Nova Iorque, no papel de Minnie em La Fanciulla del West, uma das últimas óperas de Puccini.

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