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Alterações climáticas. Relatório prevê cenário catastrófico já em 2100

Alterações climáticas. Relatório prevê cenário catastrófico já em 2100

Dreamstime Joana Marques Alves 02/09/2019 18:39

Documento feito por especialistas da ONU alerta para a possibilidade de milhões de pessoas ficarem sem casa já em 2100.

A não ser que o Homem mude a sua forma de estar e diminua as emissões de gases poluentes, os oceanos deixarão de ser elementos essenciais à nossa sobrevivência para passarem a ser o nosso pior pesadelo. A conclusão é de um relatório das Nações Unidas, que deverá ser publicado no final deste mês.

O documento do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC), citado pela Agência France-Presse (AFP), foca-se nos oceanos e nas zonas geladas, conhecida como criosfera, e prevê cenários catastróficos – alguns até irreversíveis –, como quedas acentuadas no stock de peixe, um crescimento exponencial na quantidade e intensidade das tempestades e centenas de milhões de pessoas desalojadas por causa da subida do nível do mar.

De acordo com a AFP, o relatório tem 900 páginas e faz parte de quatro documentos realizados em menos de um ano pelos especialistas das Nações Unidas – os outros focam-se na necessidade de diminuir a temperatura do planeta em pelo menos 1,5OC, no estado da biodiversidade e na forma como o Homem deve gerir as florestas e os sistemas de produção alimentar.

O relatório deverá ser apresentado no dia 25 de setembro, dois dias depois de um encontro de líderes mundiais com o secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres, que tem como objetivo definir, precisamente, medidas mais concretas para lidar com as alterações climáticas.

O que vai acontecer As previsões não são (mesmo nada) otimistas. Em 2050, grandes cidades que se localizem a uma baixa altitude e ilhas vão enfrentar anualmente “eventos extremos no que diz respeito à subida do nível do mar”. O relatório diz que este cenário deverá ocorrer mesmo que sejam cumpridas as medidas mais drásticas em relação à diminuição da emissão de gases.

A situação torna-se mais grave ainda 50 anos depois: em 2100, “os danos provocados por cheias anuais deverão ser duas ou três vezes maiores”, alertam os especialistas. E mesmo que o Homem consiga diminuir dois graus na temperatura média do planeta, o nível de subida do mar subirá de tal forma que mais de 250 milhões de pessoas ficaram desalojadas.

Recorde-se que a temperatura média global subiu um grau Celsius desde o final do século XIX. Tendo em conta as emissões de dióxido de carbono registadas nas últimas décadas, os especialistas acreditam que, até ao final deste século, esta média deverá aumentar outros dois ou três graus até ao final deste século.

Ao entrar no século XXII, o nível do mar deverá subir ainda mais rapidamente, podendo “aumentar vários centímetros por ano”, diz o relatório, citado pela AFP.

A marca dos Big Four No final de setembro, Guterres deverá reunir-se com os principais líderes mundiais para tentar travar estes problemas. Até porque, segundo fontes citadas pela AFP, o secretário-geral da ONU não está nada satisfeito com as políticas ambientais implementadas pela China, EUA, União Europeia e Índia.

Os Big Four, como são conhecidos, são responsáveis por cerca de 60% das emissões de gases provenientes de combustíveis fósseis. No entanto, todos eles irão enfrentar os impactos devastadores da subida dos oceanos e o degelo dos polos.

E a verdade é que pouco ou nada têm feito para travar estes problemas, como descreve a AFP. Uma das medidas de Donald Trump que mais chocaram o mundo foi anunciar que os EUA queriam abandonar o Acordo de Paris. Este foi assinado em 2015, quando Barack Obama era Presidente, e tinha como objetivo desenvolver medidas para reduzir a emissão de gases estufa a partir de 2020, por forma a conter o aquecimento global abaixo dos 2OC.

A Índia tem apostado na energia solar e no desenvolvimento de sistemas para captar mais energias renováveis, mas continua a usar o carvão como principal combustível. A União Europeia bem tenta reduzir as emissões de gases poluentes, mas alguns países têm estado a ‘arrastar’ o tema e a adiar a implementação de medidas ecológicas.

Mas a ‘campeã’ da poluição é a China: este país produz tanto CO2 quanto os EUA, EU e Índia juntos. E, segundo a Greenpeace, citada pela AFP, as autoridades têm estado cada vez menos atentas a estas questões – o ressurgimento de do carvão enquanto fonte de energia e o desleixo na implementação de regras para prevenir a poluição do ar são dois exemplos dados pela organização não-governamental.

No entanto, todos os países referidos aparecem neste relatório como territórios ameaçados pela subida do nível do mar. As cidades da costa chinesa, Bombaim, Nova Iorque e Miami são algumas das áreas mais vulneráveis, refere o IPCC.

A importância dos oceanos Muitos poderão pensar que os oceanos apenas servem para albergar a vida marinha, mas a verdade é que também têm um papel essencial na sobrevivência das espécies terrestres. Os oceanos absorvem um quarto do CO2 emitido pelos seres humanos e, desde a década de 70, foram responsáveis pela retenção de mais de 90% do calor produzido pelas emissões de gases com efeito de estufa.

Ou seja, sem esta “esponja” marinha, o aquecimento global já tinha tornado a habitabilidade na Terra insuportável para qualquer espécie.

O problema é que, como tudo, os oceanos também chegam a um ponto de saturação: a acidificação dos oceanos está a colocar em causa as cadeias alimentares e as sucessivas ondas de calor – cada vez mais frequentes – estão a criar zonas mortas (ou seja, com pouco oxigénio) mais vastas. Isto significa que além de poderem vir a tornar-se o pior inimigo de quem está em terra, os oceanos também estão a sofrer com as consequências do que é feito à superfície.

 

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