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Rentrée. Setembro que venha, que já tardava

Rentrée. Setembro que venha, que já tardava

Cláudia Sobral 30/08/2019 20:41

Mês de rentrées, mês de regressos, mês de sacudir o pó da agenda, setembro está já aí. Entre aberturas de temporada nos teatros, o regresso dos festivais de cinema habituais e inaugurações de novas exposições, espaço há este ano ainda para um novo festival de música (e não só). A despedida do verão não tem que ser um problema. A prova é esta seleção do que haverá para fazer já não na praia, mas na cidade, ao longo deste setembro.

Ciclo Memórias Coloniais - Com a conferência Políticas da Memória Seletiva, com a historiadora e cientista política Fatima Harrak, professora honorária no Instituto de Estudos Africanos na Universidade Mohamed V– Rabat, arranca a 19 de setembro (18h30) o ciclo Memórias Coloniais, na Culturgest, em Lisboa. Uma programação que se prolonga até ao início de outubro, com uma apresentação da performance O fim do colonialismo português, de André Amálio (Hotel Europa), autor da tese de doutoramento Reescrever a história através do teatro documental pós-colonial. Para lá das conferências e da performance, o ciclo estende-se ao cinema e ao teatro.

Ano 0 - Ainda não fez quatro anos que Violet e Photonz fundaram em Lisboa, regressados de Londres, a Rádio Quântica. Uma plataforma com o objetivo de abrir espaço para artistas e ativistas da cena underground. Agora, a 6 e 7 de setembro, entre Lisboa e o Barreiro, a Rádio Quântica Programa o seu primeiro festival – Ano 0 – que com o objetivo de abrir espaços para novas identidades segue na mesma missão que levou à criação da rádio independente. Com, entre muitos outros, Puto Tito, Agatha Cigarra e Tita Maravilhas, Aurora Pinho Raw Forest, Odete, Bleid, Stasya, Viegas, NESS, Herlander, Phoebe, Violet e Photonz.

Entrada livre - Na abertura da nova temporada, o Teatro Nacional D. Maria II, em Lisboa, oferece, como já vem sendo habitual, um programa de dois dias de espetáculos gratuitos. A começar, dia 14, com A Caminhada dos Elefantes, com texto de Inês Barahona e Miguel Fragata (11h, na Sala de Cenografia), e a terminar, dia 15, com o regresso das coleções de Raquel André, com Coleção de Artistas (20h, na Sala Estúdio). Pelo meio, muitos outros espetáculos, e ainda visitas guiadas à exposição José Marques: Fotógrafo em Cena, a apresentação de novos livros editados pelo TNDM, um concerto na varanda de Selma Uamusse.

MotelX - Habituado a fazer a abertura da temporada dos festivais de cinema em Lisboa, o Motelx regressa com o terror e o género do costume, cuja programação completa acaba de ser anunciada. Dia 10, o Festival Internacional de Cinema de Terror de Lisboa arranca com Ma, um thriller de Tate Taylor (As Serviçais) e protagonizado por Octavia Spencer, como filme de abertura. A 15 de setembro, Come to Daddy, uma comédia negra de Ant Timpson, faz o encerramento. Entretanto, o programa começa ainda antes do próprio festival. Com, por exemplo, uma visita noturna ao Museu Nacional de Arte Antiga (dia 5) ou uma projeção ao ar livre de Ed Wood, de Tim Burton, no Largo Trindade Coelho.

Empty The Space - À sua quinta edição, o MEXE – Encontro Internacional de Arte e Comunidade tem como mote “o comum”. Nessa senda, Empty the Space, um dos três espetáculos apresentados no Teatro Carlos Alberto, no Porto, propõe uma reflexão sobre “a partilha de espaço no espaço global do mundo moderno”. Uma produção do Uganda (Kuenda Productions) com dramaturgia de Cindy Jänicke, para dois bailarinos coreógrafos – Antonio Bukhar Ssebuuma & Faizal Mostrixx Ddamba – que, a partir de um espaço vazio, dançam, representam e negoceiam, num espetáculo a explorar a relação entre a coreografia europeia contemporânea e a dança tradicional africana.

Playmode - Depois de um calmo agosto, o MAAT regressa, a 11 de setembro, às inaugurações. Em Playmode, uma exposição com curadoria de Filipe Pais e Patrícia Gouveia e uma imensa lista de artistas, entre os quais Brad Downey, Gabriel Orozco e Ana Vieira, por exemplo, propõe-se uma reflexão sobre sobre o “período de ludificação” que as sociedades contemporâneas atravessam. As obras selecionadas exploram "novos modos de ver, de participar e de transformar o mundo, usando o jogo de forma crítica". No mesmo dia, o museu da Fundação EDP inaugura ainda, na primeira individual do artista em Portugal, um novo filme do artista Basim Magdy. 

Álvaro Siza (In/Disciplina) - No Museu de Arte Contemporânea da Fundação Serralves é inaugurada, a 19 de setembro e com curadoria de Nuno Grande e Carles Muro, Álvaro Siza - In/Disciplina. Uma exposição produzida com as contribuições do Álvaro Siza Fonds do Canadian Centre for Architecture e do Arquivo Álvaro Siza da Gulbenkian, que a partir de 30 projetos (1954-2019) percorre a trajetória do arquiteto, através das suas leituras, dos seus cadernos de esquissos e registos fotográficos de viagens e do testemunho pessoal de muitas personalidades que com a sua obra se foram cruzando ao longo dos anos.

Queer Lisboa - No campo dos festivais de cinema, setembro, que continua mês farto, não termina sem Queer Lisboa, que, entre os dias 20 e 28, regressa para a 23.ª edição. O único festival de cinema exclusivamente dedicado às temáticas queer e LGBT abre com Indianara, um documentário de Aude Chevalier-Beaumel e Marcelo Barbosa sobre a ativista transgénero brasileira Indianara Siqueira, que acompanharam ao longo de dois anos na luta e na resistência pelos direitos dessas comunidades marginalizadas nos conturbados tempos que tem atravessado o Brasil politicamente - da destituição de Dilma Rousseff à eleição de Jair Bolsonaro.

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