Animais têm vindo a deslocar-se das zonas rurais em busca de comida. Estão cada vez mais familiarizados com o ser humano, mas podem colocar em perigo a sua integridade física.
Têm vindo a surgir cada vez mais testemunhos e vídeos nas redes sociais de javalis selvagens a passearem por zonas urbanas. O caso mais recente registado pela câmara de um telemóvel foi o de um trio de animais apanhado, nesta terça-feira, a passear num parque de estacionamento da Amadora, junto de uma zona residencial na freguesia da Encosta do Sol.
E esta não foi a primeira vez que javalis selvagens foram avistados naquela zona, que já recebeu outras ‘visitas’ semelhantes já por duas outras vezes. Contudo, não é esta a única zona urbana em que tais espécimes selvagens têm sido avistados.
O i falou com João Dinis, membro da direcção da Confederação Nacional de Agricultores (CNA), que explicou que em causa está um atual “descontrolo das populações de javalis, que tem vindo a acentuar-se nos últimos três anos.”
Segundo o membro do CNA, foi mesmo a ação do homem que causou a ‘aproximação’ deste animal selvagem aos centros urbanos. “Com a concentração das bolsas agrícolas nos núcleos urbanos, os animais, que precisam de comer, têm-se aproximado desses centros em busca de alimento”.
Além dessa ação, os animais “têm sido expulsos dos seus antigos habitats pelas secas frequentes e por violentos incêndios florestais”. A “necessidade de comer e a falta de alimentação nos seus antigos habitats, levaram a que os javalis se aproximem dos centros urbanos e se familiarizem com os humanos”, acrescentou João Dinis.
Esta aproximação das zonas urbanas, tal como o aumento da população de javalis, levaram a múltiplas queixas e protestos de agricultores, que viram as suas explorações agrícolas sofrer danos severos. Há quem chegue a ter mais de 30 mil euros de prejuízo.
Em busca de comida “Com o calor, os bichos saem com mais frequência na busca de água e de comida e quem é que os alimenta? Os agricultores não podem ser condenados a alimentá-los à custa de grandes prejuízos e da própria exploração”, afirmou João Dinis.
Segundo este responsável, o Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas (ICNF) “recebe por ano uma média de 11 milhões de euros das zonas de caça e licenças de caçadores. Justifica-se que fosse esta entidade e o Governo, neste tipo de situações críticas, quem pagasse as indemnizaçõesaos agricultores”.O representante do CNA aponta o dedo ao ICNF e ao Governo, que “estão protegidos pela lei, que atira o pagamento das indemnizações e responsabilidades para as zonas de caça”.
Ainda segundo João Dinis, a solução para este descontrolo passaria por um “rastreamento da densidade populacional e da mobilidade desta espécie. Isto é algo que deve ser feito pelo Estado e pelo ICNF, para poderem intervir de seguida ao nível do controlo dos animais.”
“Este controlo, incluindo o controlo sanitário, deixou de existir. Compete ao Estado fazer essa gestão. O Ministério da agricultura e o ICNF não o fazem e não arranjam quem o fizesse”, adiantou.
O i tentou contactar o Ministério da Agricultura, Florestas e Desenvolvimento Rural, tal como o ICNF, mas não obtevemos qualquer resposta até à hora de fecho desta edição.

