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Matilhas preocupam populações de norte a sul do país

Matilhas preocupam populações de norte a sul do país

Dreamstime Joana Marques Alves 30/08/2019 12:41

Representante dos veterinários municipais diz que este fenómeno também está muito associado à solidão das pessoas, que alimentam os animais à sua volta.

Em Aveiro, no final do ano passado, um homem andava de bicicleta junto à praia quando começou a ser perseguido por uma matilha. Atirou-se para a água para se proteger. Na mesma altura, uma jovem foi atacada em Cascais, perto da praia do Guincho, quando passeava o seu cão. O animal morreu e a dona ficou ferida. No Algarve, os cães atacam outras espécies selvagens e destroem o habitat à sua volta. O problema das matilhas continua um pouco por todo o país. Matosinhos está a tentar criar a solução, mas os veterinários não se mostram muito recetivos.

Existem zonas onde o problema está resolvido – a Câmara de Cascais confirmou ao i que a matilha do Guincho foi apanhada e a autarquia de Sintra também conseguiu capturar os cães que andavam pela Beloura, Colares, Massamá e outros locais do concelho –, mas em algumas partes do país as populações continuam a temer os ataques de animais errantes.

O i sabe que em Aveiro, por exemplo, a questão das matilhas continua a ser um problema. A câmara tem noção do que se passa e está a acompanhar a situação: “A Câmara Municipal de Aveiro, juntamente com as entidades competentes (Guarda Nacional Republicana) e dentro dos objetivos da Campanha Animais de Companhia, tem referenciados esses casos estando a monitorizar o problema e a encaminhar para adoção os animais que é possível recolher”, explicou ao i. Para lidar com o problema, tem realizado várias ações de sensibilização para o abandono dos animais e de ajuda para as famílias carenciadas. “A CMA tem também ao dispor, uma linha de atendimento telefónico dedicada ao tema e brevemente um veículo automóvel específico para a recolha de animais abandonados”.

O i sabe também que foi registada a presença de uma matilha na zona da Ria Formosa. Moradores da Quinta do Lago dizem que os cães estão a matar as lebres que existem naquela zona e a destruir os ninhos de rola. O i tentou contactar a Câmara Municipal de Faro para confirmar esta informação, mas sem sucesso.

Outro caso preocupante é o de Matosinhos, onde existem onze matilhas, num total de cerca de 100 cães. Foram realizadas manobras de captura. Algumas bem-sucedidas, outras nem por isso – a intervenção “musculada” da Câmara de Matosinhos não agradou aos cuidadores. “Foram usadas armadilhas que estavam mais direcionadas para a captura de lobos. Por vezes os animais reagiam e começavam a ganir. As coisas não foram agradáveis e a partir dessa iniciativa decidimos começar outro projeto”, explica ao i António Correia Pinto, vereador da Câmara Municipal de Matosinhos.

Este novo projeto passa pela criação de um espaço amplo, onde os animais serão colocados depois de serem capturados. “Já adquirimos a estrutura e durante a próxima semana vamos começar a construir o espaço onde eles vão ser alojados depois de serem. Teremos, durante o próximo mês, a primeira ação de captura, com o envolvimento dos cuidadores”, que entretanto já receberam formação para colaborarem com a câmara.

E como surgem estas matilhas? De acordo com Ricardo Lobo, da Anvetem – Associação Nacional de Médicos Veterinários dos Municípios, o seu aparecimento está ligado ao comportamento dos humanos à sua volta: “Aquilo que me parece é que nas zonas periférica do Grande Porto são as zonas onde estão as pessoas de classe mais baixa e também onde estão aquelas que têm mais problemas emocionais, de solidão, de depressão até. Estes fenómenos de descompensação emocional levam as pessoas a tornarem-se demasiado amigas dos animais e a alimentar estes animais”.

“Eu não sou psiquiatra, mas o que reparava era que as pessoas que encontrei nas ações para apanhar estes cães tinham um denominador comum: dava para perceber que não estavam só preocupadas com os animais, mas também com elas próprias. Ficavam quase sem uma razão de viver, pois alimentar os cães era uma missão diária. Ou seja, este problema está muito assocido a fenómenos de solidão, a pessoas sem objetivos”, disse ao i. A garantia da existência de alimento atrai estes cães, que acabam por se fixar na zona.

 

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