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Aviões. KC-390 chegam em 2023 e “bisontes” a caminho da reforma

Aviões. KC-390 chegam em 2023 e “bisontes” a caminho da reforma

Cristina Rita 23/08/2019 20:00

Estado paga 827 milhões por cinco novas aeronaves e simulador de voo nos próximos 12 anos. Último avião chega em 2027.

Os quatro C-130 das Forças Armadas têm cerca de 40 anos e já se sabia que um dia seriam substituídos. Em 2023, a Força Aérea Portuguesa contará com o primeiro avião KC-390, uma aeronave produzida sobretudo no Brasil, mas com componentes fabricados e desenhados por portugueses no Parque da Indústria Aeronáutica de Évora. Até fevereiro de 2027 chegam mais quatro novas aeronaves KC-390, uma estreia em céus europeus, para suceder aos C-130.

A Embraer, empresa brasileira que fabrica os KC-390, deverá entregar a primeira aeronave à força aérea brasileira já a 4 de setembro. O aparelho é um projeto brasileiro, mas teve parcerias de Portugal, Argentina e República Checa.

“Estamos agora a fazer um investimento de 827 milhões de euros na aquisição das cinco aeronaves e do simulador e prevemos exportações portuguesas na ordem dos 950 milhões de euros relacionados com o KC-390 nos próximos 15 anos”, começou por explicar, logo pela manhã, o ministro da Defesa Nacional, João Gomes Cravinho, citado pela TSF.

Sem adiantar mais detalhes sobre a fórmula do retorno financeiro para a economia portuguesa, o ministro da Defesa disse mais tarde que as aeronaves serão pagas no prazo de 12 anos, o que dá uma média de 68,9 milhões de euros anuais, segundo contas do i.

“Os 827 milhões de euros que serão investidos nos próximos 12 anos incluem a aquisição das aeronaves, o simulador, os equipamentos, mas também os custos de manutenção, a aquisição de sistemas complementares ou a construção e a adaptação das infraestruturas necessárias à sua operação a partir da Base Aérea n.o 6, no Montijo”, declarou o governante. Ou seja, ao abrigo da última Lei de Programação Militar (LPM), publicada em junho, os Orçamentos do Estado futuros não terão encargos adicionais além dos previstos e definidos na LPM. A contabilização dos custos de manutenção nos encargos com as aeronaves é um dado importante, porque as Forças Armadas têm presente, por exemplo, as dificuldades de manutenção iniciais com os helicópteros EH101, em que os custos deram dores de cabeça a vários Governos. Aliás, em dezembro de 2018, o DN ainda dava conta de um helicóptero EH101 parado há mais de um ano por falta de dinheiro para o reparar. Seriam necessários vários milhões de euros para o efeito.

De realçar que a solução encontrada pelo Governo de comprar cinco aeronaves mais um simulador de voo é a versão mais cara. Só o simulador, apurou o i, poderá custar entre 40 e 50 milhões de euros, segundo fontes conhecedoras do processo. Mas o investimento justifica-se porque dispensa o recurso ao avião na formação de pilotos.

Por exemplo, os C-130 têm a sua manutenção na OGMA – Indústria Aeronáutica de Portugal, SA, mas a Força Aérea não tem um simulador de voo. Assim, os militares têm de se deslocar a Marrocos para usar um simulador.

Segundo o Governo, o “KC-390 é uma aeronave com alcance intercontinental, dotada de verdadeiras capacidades multimissão, e capaz de executar operações estratégicas e táticas, civis e militares”. Ou seja, terá uso militar e civil, com capacidades de transporte aéreo, busca, salvamento e evacuações, com “capacidades adicionais de reabastecimento em voo e de combate a incêndios florestais”.

No seu discurso na cerimónia de contratualização dos cinco aviões, o ministro destacou ainda que existe atualmente “um cluster aeronáutico português que representa já cerca de 1% do PIB nacional e que se espera possa vir a duplicar a sua dimensão num horizonte próximo. Esta indústria representa 3,3% das exportações nacionais, registando uma tendência crescente nos últimos dez anos”.

Já o primeiro-ministro, António Costa, classificou a assinatura do contrato como “um grande dia” para Portugal e Brasil.

E o que vai acontecer aos c-130? Os aviões C-130, de fabrico norte-americano, já têm algumas restrições para a aterragem em alguns países europeus e precisam de atualizações, e o ministro João Gomes Cravinho adiantou ontem que serão feitas pequenas atualizações para poderem operar até à entrada em pleno dos KC-390. Caso contrário, a partir de 2020 “deixariam de ter autorização para voar no espaço aéreo europeu”. Depois de 2027, o futuro dos C-130 ainda é incerto. Quando se negociou a LPM no Parlamento foi abordada a hipótese de serem alocados à Força Aérea apenas para combate a incêndios. Mas Gomes Cravinho não se comprometeu: “Nessa altura, ou serão alienados ou utilizados para outros fins”.

Este contrato resulta do esforço de vários Governos, facto realçado pelo ministro, mas também, pelo deputado do CDS João Rebelo. “É um bom exemplo em que uma aposta tomada por um Governo, de Durão Barroso e Paulo Portas, foi continuada nos Governos a seguir”, disse o deputado ao i.

No dia em que assinou o contrato de aquisição de cinco novas aeronaves para as Forças Armadas, o Conselho de Ministros autorizou também a Força Aérea Portuguesa a aplicar 130 milhões de euros na preparação de cinco caças F-16 vendidos à Roménia.

Os “bisontes” chegaram em 1977

• O primeiro C-130 chegou a Portugal em 1977. Estes aparelhos são operados sobretudo pela Esquadra 501 da Força Aérea Portuguesa. São aviões quadrimotores, com turbo-hélice, de asa alta e trem retrátil.

• Podem transportar até 97 feridos em missões de busca e têm capacidade para 74 macas. 

• Estas aeronaves fazem missões de apoio logístico, transporte aéreo tático e geral, patrulhamento marítimo e combate a incêndios florestais.

• Podem transportar até 128 pessoas com uma tripulação de seis militares.

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