26/1/20
 
 
Vítor Rainho 23/08/2019
Vítor Rainho

vitor.rainho@newsplex.pt

Casas de banho. Tudo ao molho e fé em Deus não vai funcionar

Em nome de uma minoria, não se deve alterar o modo de vida da maioria e teria sido sensato por parte do Governo explicar que nas escolas se deve, dentro do possível, encontrar uma terceira casa de banho, não afetando ninguém

O Governo, sempre que quer fazer passar alguma lei menos confortável, chamemos-lhe assim, decide fazê-lo pela calada para ver se não há grandes ondas, como foi o caso das casas de banho e demais questões levantadas com os alunos transgénero. Se tivesse optado por esclarecer tudo direitinho, talvez se tivesse poupado uma discussão que afeta sobretudo os jovens que não se sentem bem na pele em que nasceram, até porque a polémica não vai ficar por aqui.

Em nome de uma minoria, não se deve alterar o modo de vida da maioria e teria sido sensato por parte do Governo explicar que nas escolas se deve, dentro do possível, encontrar uma terceira casa de banho, não afetando ninguém. Os rapazes vão à sua casa de banho e as raparigas seguem a sua sinalética. É que, se fosse tudo ao molho e fé em Deus, seria mau para todos. Os transgénero seriam “gozados” nas duas casas de banho e não é isso que se pretende.

Mas outras questões vão colocar-se neste assunto, já que não vai faltar muito para que os transgénero, depois de saberem que ganharam esta luta, avancem para outras, à semelhança do que se passa em alguns países europeus e nos EUA. Um dia vão chegar à sala de aulas e dizem que querem ser tratados como se fossem um espírito duplo – pode parecer absurdo, mas é verdade: nos EUA, em Nova Iorque, os professores são obrigados a reconhecer cerca de 30 géneros. Se não o fizerem, podem ser multados. E isto faz algum sentido? Claro que não. O mais comum é o género fluido, em que um rapaz, por exemplo, um dia aparece e diz que quer ser tratado como rapariga, podendo depois voltar a querer ser tratado como rapaz e por aí fora.

Resumindo: arranjem casas de banho para os transgénero que, comprovadamente, não se sentem bem na pele em que nasceram, e organizem os balneários por forma a que uns não se cruzem com os outros. As crianças heterossexuais também não têm de ser confrontadas com algo que as violenta. Não acredito que um transgénero se sinta bem num local íntimo a ser intimidado.

P. S. É óbvio que, daqui a uns anos, as casas de banho serão mistas, havendo compartimentos fechados onde entrará o primeiro da fila._Mas quando se luta por carruagens do metro só para mulheres, quando se fala em táxis cor-de-rosa, não percebo esta ânsia de algumas almas que querem tudo ao molho e fé em Deus.

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