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Brasil. Amazónia arde a uma velocidade nunca antes vista

Brasil. Amazónia arde a uma velocidade nunca antes vista

AFP Filipe Teles 21/08/2019 19:51

O número de incêndios no Brasil aumentou 84% em relação ao ano passado. Metade são na Amazónia.

A floresta responsável por fornecer um quinto do oxigénio no mundo nunca ardeu tanto, de acordo com as observações de satélite do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), divulgadas na terça-feira. Foram registados 74 155 focos de incêndio no Brasil desde o início do ano até à passada terça-feira, um aumento de 84% em relação ao mesmo período do ano passado, e o maior desde 2013. A Amazónia é o bioma - grupo de ecossistemas - mais afetado por esta onda de incêndios, com 52,6 %  das ocorrências. 

Só desde quinta-feira deflagraram quase 10 mil incêndios, a grande maioria na maior floresta tropical do mundo. A Amazónia legal abrange nove estados federais brasileiros. Um deles é o Amazonas, cujo Governo declarou o estado emergência no sul da região e na capital do estado, Manaus, no início de agosto. 

O decreto ativado pelo governador em funções do Amazonas, Carlos Almeida, estará em vigor durante 180 dias. “A medida que estamos adotando tem por objetivo conter desmatamentos e queimadas que degradam a floresta, o nosso maior ativo, mais comuns nesse período do ano, que chamamos de verão amazónico”, explicou Almeida num comunicado, garantindo também que o Governo tomará toda as medidas necessárias para conter “quaisquer ações de crime ambiental no Estado”.

Há seis anos o Brasil registou 35 567 incêndios até dia 20 de agosto, metade do número de focos durante o mesmo período de 2019. Os estados mais afetados são Mato Grosso (13 999), Pará (9818) e o Amazonas (7150): um aumento de 91%, 207% e de 150%, respetivamente. A última onda de incêndios comparável à deste ano, ocorreu em 2016, quando até 20 de agosto o Inpe registou 68 484 focos de incêndio.

Em declarações ao Estadão, o  investigador Alberto Setzer explicou que o clima mais seco está a desencadear esta vaga de incêndios, não tendo, contudo, uma origem natural. “Nesta época do ano não há fogo natural. Todas essas queimadas são originadas em atividade humana, seja acidental ou proposital [sic]. A culpa não é do clima, ele só cria as condições, mas alguém bota fogo”, explicou Setzer. Parte dessa ação humana terá que ver com a prática de queimar lixo ou de pôr fogo para abrir os terrenos, associada a alguns moradores, garimpeiros e fazendeiros, segundo outros analistas.

Especula-se que foram os ventos fortes que levaram uma enorme nuvem de fumo - de 30 quilómetros -, vinda dos incêndios florestais nos estados do Amazonas e Roraima, até São Paulo, deixando a cidade que fica a cerca de três mil quilómetros da região completamente às escuras na segunda-feira. Contudo, o Inpe garantiu que não terá sido esse o maior fator para a escuridão na capital paulista. 

Ao mesmo tempo, os incêndios correlacionam-se com os índices de desflorestação da Amazónia. De acordo com o Inpe, a destruição da floresta amazónica aumentou 49,45% entre agosto do ano passado e julho deste ano. O ritmo a que o pulmão do planeta está a desaparecer tem estado sob os holofotes internacionais: desde o início do ano até ao mês de julho, a Amazónia perdeu 2254,9 quilómetros quadrados de floresta - 22 vezes a cidade de Lisboa.

A divulgação destes dados foi altamente criticada pelo Presidente do Brasil Jair Bolsonaro. O líder do Governo brasileiro afirmou que a sua divulgação prejudicava a imagem do país, sugerindo que o Inpe estava ao “serviço de alguma ONG” estrangeira. Ricardo Galvão, então diretor do Inpe, contestou as alegações de Bolsonaro, sendo pouco tempo depois destituído do cargo pelo Governo. 

A guerra que Bolsonaro tem lançado contra o ambiente levou a Alemanha e a Noruega a suspenderem a sua participação no Fundo Amazónia. Um corte financeiro de peso para o fundo, sendo que os noruegueses eram os seus maiores doadores.  

Do lado de Berlim, que em conjunto com a Noruega, era um dos maiores investidores na conservação da floresta tropical, o argumento foi de que a política ambiental do ocupante do Planalto não justificava mais doações. “A política do Governo brasileiro na região amazónica deixa dúvidas se ainda persegue uma redução consequente das taxas de desflorestação”, apontou Svenja Schulze, ministra do Ambiente alemã, citada pelo G1

  

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