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Afinal, a “telenovela” continua. Sindicato recusou mediação

Afinal, a “telenovela” continua. Sindicato recusou mediação

Mafalda Gomes Rita Pereira Carvalho 20/08/2019 21:56

Sindicato não aceitou modelo de mediação para negociar e vai agora avançar para greve, como ficou definido no plenário em Aveiras

 

Sindicato e patrões voltaram esta terça-feira à mesa das negociações, mas não houve entendimento, outra vez. Se, de um lado a Associação Nacional de Transportadores Públicos Rodoviários de Mercadorias (Antram) quer negociar com calma, o Sindicato Nacional de Motoristas de Matérias Perigosas (SNMMP) quer resultados imediatos. 

O Governo esteve presente como mediador e, depois de ouvir as duas partes em separado, a Antram voltou ao ministério das Infraestruturas para falar, olhos nos olhos, com o SNMMP. André Matias de Almeida, porta-voz da Antram, esteve pouco mais de dez minutos  com o sindicato e, quando saiu, largou a bomba: “Não há mediação por recusa do sindicato”. 

“Fomos chamados ao ministério das Infraestruturas para assinar um acordo de mediação”, explicou o porta-voz da Antram, acrescentando que os patrões não colocaram “qualquer tipo de restrição à mediação”. “A greve foi desconvocada para se ir para um processo de mediação”, mas “aquilo que se passou no domingo não passou de mais um número”, disse André Matias de Almeida. 

Depois da recusa do sindicato em partir para um processo negocial sob a mediação do Governo, os patrões não pouparam críticas: “Enquanto este sindicato não conseguir compreender o que significa conversar, a mediação não é possível”. 

André Matias de Almeida explicou que o sindicato queria resultados na hora, passando por cima de um processo negocial que demora mais do que uma ou duas reuniões. A estrutura sindical “quer impor condições” a nível salarial e falou de um aumento de 40% face ao que foi definido com a Fectrans na semana passada.

Do lado do sindicato, Pedro Pardal Henriques, assessor jurídico do SNMMP, falou à saída da reunião e garantiu que “esses 40% é um aumento de 50 euros tributados”. O sindicato disse estar disposto a avançar para um processo negocial, mas precisa de ter alguma coisa na mão: “Precisamos de ter garantias que não andamos aqui a perder tempo”. 

Pedro Pardal Henriques explicou que deixaram cair os aumentos para 2021 e 2022 e que o sindicato pediu “duas coisas essenciais: valorizar os trabalhadores e que sejam pagos pelo trabalho que fazem”.  A cláusula 61 que, no fundo, permitiu que até agora as empresas deixassem de pagar pelo trabalho suplementar, foi um dos pontos que o sindicato colocou em cima da mesa. “A única coisa que pedimos à Antram foi que as horas extraordinárias fossem pagas e a cláusula 61 iria pagar as horas extraordinárias”. Além deste ponto, que Pedro Pardal Henriques definiu como não sendo “nada do outro mundo”, o sindicato quis, logo à partida, definir o subsídio a pagar especificamente aos motoristas de matérias perigosas. 

Sem acordo, Pedro Pardal Henriques garantiu que o SNMMP “vai dar seguimento” às estratégias que ficaram definidas no plenário do passado domingo, em Aveiras. Durante o encontro entre sindicato e motoristas, ficou definido que, caso não houvesse entendimento com os patrões, os trabalhadores iriam avançar para grev às horas extraordinárias e ao trabalho aos fins de semana e feriados. Esta quarta-feira, o Sindicato Nacional de Motoristas de Matérias Perigosas vai anunciar as novas formas de luta e confirmar se os motoristas vão mesmo avançar para uma greve cirúrgica. 

Antes de se conhecer o desfecho desta tentativa de mediação, Pedro Nuno Santos, ministro das Infraestruturas e da Habitação, tinha dito, depois da reunião com a Antram que “a telenovela já acabou”. No entanto, o sindicato teve mais força do que estas palavras e, afinal, a novela ainda vai contar com mais capítulos. Já depois de terminadas as reuniões, Pedro Nuno Santos lamentou a posição e disse não conseguir explicar a posição de intransigência do sindicato. “Infelizmente, uma das partes quis definir resultados, não é assim que se faz um processo negocial”, disse o ministro, acrescentando que “os resultados não podem ser impostos antes de uma mediação”. Num discurso idêntico ao dos patrões, Pedro Nuno Santos garantiu que o Governo vai continuar a trabalhar para que as duas partes cheguem a um acordo e lembrou que existem dois sindicatos que aceitaram negociar com os patrões. 

Desta vez, ao contrário do que aconteceu durante as últimas negociações, o sindicato representante dos motoristas de matérias perigosas reuniu com o Governo sem a presença do sindicato de motoristas de mercadorias. As duas estruturas sindicais apresentaram juntas o pré-aviso de greve, mas acabaram por cancelar a paralisação em momentos diferentes. E, apesar de o Sindicato Independente dos Motoristas de Mercadorias (SIMM) ter cancelado a greve na quinta-feira à noite, a primeira reunião para recomeçar as negociações está marcada para o próximo mês de setembro.  

 

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